UMA PRECE DE PIETRO UBALDI

( Extraída de: " A Grande Síntese " )

Orai assim:

" Adoro-te, recôndito Eu do universo, alma do Todo, Meu Pai e Pai de todas as coisas, minha respiração e respiração de todas as coisas.

Adoro-te, indestrutível essência, sempre presente no espaço, no tempo e além, no infinito.

Pai, amo-te, mesmo quando Tua respiração é dor, porque Tua dor é amor; mesmo quando Tua Lei é esforço, porque o esforço que Tua Lei impõe é o caminho das ascensões humanas.

Pai, mergulho em Tua potência, nela repouso e me abandono, e peço à fonte o alimento que me sustente.

Procuro-te no âmago onde Tu estás, de onde me atrais. Sinto-Te no infinito que não atinjo e donde me chamas. Não Te vejo e, no entanto, ofuscas-me com Tua luz; não te ouço, mas sinto o tom de Tua voz; não sei onde estás, mas encontro-Te a cada passo, esqueço-Te e Te ignoro, no entanto, ouço-Te em toda a minha palpitação. Não sei individuar-Te, mas gravito em torno de Ti, como gravitam todas as coisas, em busca de Ti, centro do universo.

Potência invisível que diriges os mundos e as vidas, em Tua essência estás acima de toda a minha concepção. Que serás Tu, que não sei descrever nem definir, se apenas o reflexo de Tuas obras me cega ? Que serás Tu, se já me assombra a incomensurável complexidade desta Tua emanação, pequena centelha espiritual que me anima integralmente ? O homem Te busca na ciência, invoca-Te na dor, Te bendiz na alegria. Mas na grandiosidade de Tua potência, como na bondade de Teu amor, estás sempre além, além de todo o pensamento humano, acima das formas e do vir-a-ser, um lampejo do infinito.

No ribombar da tempestade está Deus; na carícia do humilde, está Deus; na evolução do turbilhão atómico, na arrancada das formas dinâmicas, na vitória da vida e do espírito, está Deus. Na alegria e na dor, na vida e na morte, no bem e no mal, está Deus; um Deus sem limites, que tudo abarca, estreita e domina, até mesmo as aparências dos contrários, que guia para seus fins supremos.

E o ser sobe, de forma em forma, ansioso por conhecer-Te, buscando uma realização cada vez mais completa de Teu pensamento, tradução em acto de Tua essência.

Adoro-Te, supremo princípio do Todo, em Teu revestimento de matéria, em Tua manifestação de energia; no inexaurível renovar-se de formas sempre novas e sempre belas; eu Te adoro, Conceito sempre novo e bom e belo, inesgotável Lei animadora do universo. Adoro-Te grande Todo, ilimitado além de todos os limites de meu ser.

Nesta adoração, aniquilo-me e me alimento, humilho-me e me incendeio; fundo-me na grande Unidade, e coordeno-me na grande Lei, a fim de que minha acção seja sempre harmoniosa, ascensão, oração, amor. "

***

Orai assim, no silêncio das coisas, olhando sobretudo para o âmago que está dentro de vós. Orai com espírito puro, com intenso arrebatamento, com poderosa fé e a radiação anímica, harmoniosamente sintonizada com a grande vibração, invadirá os espaços. E ouvireis uma voz de conforto, que vos chegará do infinito.

Pietro Ubaldi

 

MENSAGENS DO SENHOR JESUS

( Ditadas ao Prof. Pietro Ubaldi )

I

MENSAGEM DE NATAL

( Natal de 1931 )

No silêncio da noite santa, escuta-me. Põe de lado todo o saber e tuas recordações; põe-te de parte e esquece tudo. Abandona-te à minha voz, inerte, vazio, no nada, no mais completo silêncio do espaço e do tempo. Neste vazio, ouve minha voz que te diz - ergue-te e fala: Sou eu.

Exulta pela minha presença: grande bem ela é para ti, grande prémio que duramente mereceste; é aquele sinal que tanto invocaste deste mundo maior em que eu vivo e em que tu creste, Não perguntes meu nome, não procures individuar-me. Não poderias, ninguém o poderia; não tentes uma inútil hipótese. Sabes que sou sempre o mesmo.

Minha voz que, para teus ouvidos, é terna, como é amiga para todos os pequeninos que sofrem na sombra, sabe também ser vibrante e tonante, como jamais a sentiste. Não te preocupes; escreve. Minha palavra se dirige às profundezas da consciência e toca, no mais íntimo, a alma de quem a escuta. Será somente ouvida por quem se tornou capaz de ouvi-la. Para os outros, perder-se-á no vozear imenso da vida. Não importa, porém: ela deve ser dita.

Falo hoje a todos os justos da terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleve ao Céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.

A divisão está no íntimo da consciência e não no vosso aspecto exterior, visível. Todos os que sinceramente querem compreender o compreendem. Cada um, intimamente, se conhece, sem que o próprio vizinho possa percebê-lo.

Minha palavra é universal, mas também é um apelo íntimo, pessoal, a cada um: muitos a reconhecerão.

Uma grande transformação se aproxima para a vida do mundo. Minha voz é singular, porém, outras se elevarão, muito breve, sempre mais forte, fixando-se em todas as partes do mundo, para que o conselho a ninguém falte.

Não temas; escreve e olha. Contempla a trajectória dos acontecimentos humanos: ela se estende pelo futuro. Quem não está preso nas vossas férreas jaulas de espaço e de tempo vê, naturalmente, o futuro. Isso, que te exponho à vista, é também coerente segundo vossa lógica humana e, portanto, vos é compreensível.

Os povos, tanto quantos os indivíduos, têm uma responsabilidade nas transformações históricas, que seguem um curso lógico; existe um encadeamento de causas históricas, que, se são livres nas permissas, são necessárias nas consequências.

A lei da justiça, aspecto do equilíbrio universal, sob cujo governo tudo se realiza, inclusivé em vosso mundo, quer que o equilíbrio seja restaurado e que as culpas e os erros sejam corrigidos pela dor. O que chamais de mal, de injustiça, é a natural e justa reacção que neutraliza os efeitos de vossos actos. Tudo é desejado, tudo é merecido, embora não estejais preparados para recordar o "como" e o "quando". De dor está cheio o vosso mundo, porque é um mundo selvagem, lugar de sofrimento e de provas; mas não temais a dor, que é a única coisa verdadeiramente grande que possuis. É o instrumento que tendes para a conquista de vossa redenção e de vossa liberação. Bem-aventurados os que sofrem, Cristo vos disse.

O progresso científico, principal fruto de vossa época, ainda avançará no campo material. Está, entretanto, acumulando energias, riquezas, instrumentos para uma nova e grande explosão. Imaginai a que ponto chegará o progresso mecânico, ampliado ainda mais, se tanto já conseguiu em poucos anos ! Não mais existirão, na verdade, distâncias; os diferentes Povos de tal modo se comunicarão que haverá uma sociedade única.

A mente humana, porém, troca de direcção de quando em quando, vive ciclos e períodos, e nessas várias fases deve defrontar diferentes problemas. O futuro contém não só continuações, mas transformações, consequências de um processo natural de saturação. O vosso progresso científico tende a tornar-se e tornar-se-á tão hipertrófico, porque não contrabalançado por um paralelo progresso moral, que o equilíbrio não poderá ser mantido nos acontecimentos históricos. Tem crescido e crescerá cada vez mais, sem precedentes na História, o domínio humano sobre as forças da natureza. Um imenso poder terá o homem, mas ele para isso não está preparado moralmente, porque a vossa psicologia é, em substância, infelizmente, a mesma da tenebrosa Idade Média. É um poder demasiadamente grande e novo para vossas mãos inexperientes.

O homem será dominado por uma tão alargada sensação de orgulho e de força, que se trairá. A desproporção entre o vosso poder e a altura ética de vossa vida far-se-á cada dia mais acentuada, porque cada dia que passa é, irresistivelmente, para vós, que vos lançastes nessa direcção, um dia de progresso material.

As ideias são lançadas no tempo, com massa que lhes é própria, como os bólides no espaço. Eu percebo um aumentar de tensão, lento, porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio. Essa explosão é a última consequência, mesmo de acordo com a vossa lógica, de todo movimento. Desproporção e desequilíbrios não podem durar; a Lei quer que se resolvam num novo equilíbrio. Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio. Antigamente os cataclismos históricos, por viveram isolados os povos, podiam manter-se circunscritos; agora não. Muitos, que estão nascendo, vê-lo-ão.

A destruição, porém, é necessária. Haverá destruição somente do que é forma, incrustação, cristalização, de tudo o que deve desaparecer, para que permaneça apenas a ideia, que sintetiza o valor das coisas. Um grande baptismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio, livremente violado: grande mal, condição de um bem maior.

Depois disso. A humanidade, purificada, mais leve, mais seleccionada por haver perdido os seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio; e retomará, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará: o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro. Então, aprendereis a ver-nos e a escutar-nos; desceremos em multidão e conhecereis a Verdade.

Basta, por agora; vai e repousa. Voltarei, porém, recorda que minha palavra é feita de bondade e somente um objectivo de bondade poderá atrair-me. Onde existir apenas curiosidade, desejo de emoção, leviandade ou ainda céptica pesquisa científica, aí não estarei. Somente a bondade, o amor, a dor me atraem.

Eu presido ao progresso espiritual do vosso planeta e para o progresso espiritual um acto de bondade tem mais valor que uma descoberta científica. Não invoqueis a prova do prodígio, quando podeis possuir a da razão e da fé. É vossa baixeza que vos leva a admirar, como sinal de verdade e poder, a excepção que viola a ordem divina. Se isso pode assombrar-vos e convencer-vos, a vós, anarquistas e rebeldes, para nós, no Alto, ela constitui a mais estridente e ofensiva dissonância, é a mais repugnante violação da ordem suprema em que repousamos e em cuja harmonia vibramos, felizes. Não procureis semelhante prova; reconhecei-a, antes, na qualidade da minha palavra.

A todos digo: " Paz !".

II

MENSAGEM DA RESSURREIÇÃO

( Páscoa de 1932 )

 

De além do tempo e do espaço chega minha voz. É uma voz universal que fala ao mundo inteiro e verdadeira permanece através dos tempos.

A verdade não pode sofrer mudanças se olhada por esta ou aquela nação, se observada por uma raça ou outra, porque a alma humana é sempre a mesma em toda parte, se examinada em sua profundeza.

Venho a vós, hoje, Páscoa, acima de tudo para iluminar e confortar, pois vos achais imersos numa vaga de dores. Crise a denominais e a imaginais crise económica. Eu, porém, vos digo que se trata de uma crise universal, crise de todos os vossos valores morais, de todas as vossas grandezas. É o desmoronar-se de todo um mundo milenário. Digo-vos que a crise se encontra sobretudo em vossas almas: crise de fé, de orientação, de esperanças.

É o vertiginoso momento de grandes maturações. Trago-vos esperança, orientação, paz. A cada um falo hoje a palavra da verdade e do amor, palavra que não mais conheceis. Quero reconduzir-vos às origens milenárias da fé com o intelecto novo, nascido de vossa ciência. No dia da Ressurreição, repito-vos a palavra da ressurreição, a fim de que possais compreender a dor e ultrapasseis as estreitas fronteiras de vossa vida. Comovido, falo a cada um no sagrado silêncio de sua consciência.

Ò tu que lês, afasta-te, por um momento, dos inúteis ruídos e escuta ! Minha voz não te atingirá através dos sentidos, mas, através desta leitura, senti-la-ás aflorar dentro de ti na linguagem de tua personalidade. Minha voz não chega, como todas as coisas, do exterior, contudo, surgirá em ti, por caminhos desconhecidos, como coisa tua, da divina profundeza que em ti existe e na qual também estou.

O universo é infinito e de longe venho, atraído pela tua dor. Nada me atrai tanto como a dor, porque somente nela o homem é grande, e se purifica e redime, dirigindo-se para destinos mais elevados. É triste serdes assim golpeados, mas, somente sofrendo, podeis compreender a realidade da vida. Exulta, porque este é o esforço da tua ressurreição !

A quem sofre eu digo: " Coragem ! És um decaído que na sombra reconquista a grandeza perdida ".

É a justa reacção da Lei que livremente transgredistes e que exige o retorno ao equilíbrio; instrumento de ascensão, a dor vos aponta o caminho de que fugistes; impõe-vos reabrires vossa alma, fechada pelas alegrias fáceis que infelizmente vos cegam, para que alcanceis júbilos mais altos e verdadeiros. A dor é uma força que vos constrange a reflectir e a buscar em vós mesmos a verdade esquecida. É imposição de um novo progresso.

Abraça com alegria esse grande trabalho que te chama a realizações mais amplas. Se não fosse a dor, quem te forçaria a evolver por formas de vida e de felicidade mais completas ?

Não te rebeles; pelo contrário, ama a dor. Ela não é uma vingança de Deus e sim o esforço que vos é imposto para mais uma conquista vossa.

Não a amaldiçoes, mas apressa-te a pagar o débito contraído pelo abuso da liberdade que Deus te deu para que fosses consciente. Abençoa essa força salutar que, superando as barreiras humanas, sem distinção transpõe todas as portas, penetra o que é secreto, e fere, e comanda, e dispõe, e por todos se faz compreender. Abraça a dor, ama-a, e ela perderá força. Aceita a indispensável escola das ascensões. Se te revoltares, tua força nada conseguirá contra um inimigo invisível e a violência, em retorno, mais impetuosamente cairá sobre ti.

Coragem ! Ama, perdoa e ressuscita ! Não procures nos outros a origem da tua dor, mas, sim, em ti mesmo, e arrepende-te. Lembra-te de que a dor não é eterna, porém uma prova que dura até que se esgote a causa que a gerou. Tua dor é avaliada e não irá jamais além de tuas forças. O mundo foi criado para a alegria e a alegria lhe voltará. Da outra margem da vida, outras forças velam por ti e te estendem os braços, mais do que tu ansiosos pela tua felicidade.

Falei com o coração ao homem de coração. Falarei agora à inteligência.

Tendes, ó homens, a liberdade de vossas acções, nunca a de suas consequências. Sois senhores de semear alegria ou dor em vosso caminho, e não o sois de alterar a ordem da vida. Podeis abusar, porém, se abusardes, a dor reprimirá o abuso. De cada um de vossos males, fostes vós mesmos que semeastes as causas.

O maior erro de vossos tempos é a ignorância da realidade moral, íntima orientação da personalidade, que é o fundamento da vida social.

O homem moderno se aproxima de seu semelhante para tornar-se alguma coisa, nunca para beneficiá-lo. A vossa civilização, que é económica, está baseada no princípio do " do ut des ", que é a psicologia do egoísmo. É a força económica sempre a reger o mundo. A psicologia colectiva não é senão a soma orgânica dessas psicologias individuais. A riqueza se acumula onde a força a atrai, e não onde a necessidade ou superiores exigências a reclamam; não constitui instrumento de uma vida de justiça e de bem, mas sim, máquina de poder, representando, em si mesma, um objectivo.

A lei do equilíbrio é constantemente violada e impõe reacções. Não dominais a riqueza, conduzindo-a a fins mais elevados: é a riqueza que vos domina.

Trabalhai, mas que o escopo do vosso trabalho não se reduza apenas a proveitos isolados e egoístas, e sim a frutificar no organismo social; somente então se formará aquela psicologia colectiva, que é a única base estável da sociedade humana.

Fazei o bem, todavia, lembrai-vos de que o pobre não deseja propriamente o supérfluo de vossas riquezas, mas que desçais até ele, que partilheis de sua dor e, até, que a tomeis para vós, em seu lugar.

Venerai o pobre: ele será o rico de amanhã. Apiedai-vos do rico que amanhã será o pobre. Todas as posições tendem a inverter-se a fim de que o equilíbrio permaneça constante. A riqueza tende para a pobreza e a pobreza para a riqueza. Ai daqueles que gozam ! Bem-aventurados os que sofrem ! Esta é a Lei.

Não confieis no mundo, que irá convosco enquanto tiverdes força e bem-estar; confiai, antes, em mim, que venho quando sofreis e vos trago auxílio e conforto. Já vedes, hoje, que a dor realmente existe e que nem o cepticismo nem qualquer poder humano conseguem afastá-la.

Uma radical mudança verificar-se-á na sociedade humana, a fim de que a vida não mais seja um acto de conquista, onde triunfe o mais forte ou o mais astuto, mas sim, um acto de bondade e de sabedoria em que seja vitorioso o mais justo.

Investigando-as com vossa ciência, achareis no íntimo das coisas essa suprema Lei de equilíbrio que vos governa; aprendereis que a bravura da vida não está em violar essa Lei, semeando para vós mesmos reacções de dor, porém, em segui-la, semeando efeitos de bem. Deveis também aprender que o vencedor não é o mais forte - esse é um violador - e sim quem segue conscientemente o curso das leis e sem violência se equilibra no seio das forças da vida. As religiões já o revelaram, entretanto, não acreditastes; a ciência o demonstrará, todavia não desejareis ver. O momento é decisivo. Ai de vós se, nesta vitória de civilização material em que viveis, desejardes ainda perseverar no nível do bruto.

Está maduro o mundo, mas, ao mesmo tempo, cansado de tentativas e experiências, do irresolúvel emaranhado de vossos expedientes; cansado de viver do momento, em face de um amanhã repleto de incógnitas; e quer seriamente prever e resolver os grandes problemas da vida, quer francamente olhar o futuro, ainda que isso reclame uma grande coragem.

O mundo tem necessidade da palavra simples e forte da verdade e não de novas astúcias a rolarem por velhos caminhos. O mundo espera essa palavra com ansiedade, como também a aguarda o momento histórico.

A psicologia colectiva tem o pressentimento, embora confuso, de uma grande mudança de direcção; sente que o pensamento humano, não mais infantil, apresta-se para tomar as rédeas da vida planetária e que o homem vai substituir o equilíbrio instintivo e cego das leis biológicas por outro equilíbrio, consciente e desejado. Por isso está buscando a luz, para que seu poder não naufrague no caos.

Não está longe de desaparecer vossa psicologia experimental, que será substituída pela psicologia intuitiva; esta, a muito longe, conduzirá vossa ciência. Novos homens divulgarão a verdade; não mais serão mártires cobertos de sangue, nem se assemelharão aos anacoretas de outrora, porém homens de inteligência e de fé, que difundirão seus pensamentos utilizando-se de moderníssimos recursos, homens que servirão de exemplo no meio do turbilhão de vossa vida.

Despedaçai a férrea jaula que o passado para vós construiu, e onde já não vos resta espaço. Ousai abandonar os velhos caminhos mas não ouseis loucamente, onde não há razão para ousadias; ousai na direcção do Alto e nunca ousareis demasiadamente. Do grande mar de forças latentes, que não percebeis, imensa vaga levantará o mundo.

Até lá, guardai a fé ! A vossa crise, se é profunda e dolorosa, fará, no entanto, nascer o homem novo do terceiro milénio ( o homem da nova civilização ). Para resolvê-la, recordai que ela é mal de substância, que não se debela corrigindo a forma, como procurais fazer. Para solucioná-la é necessário considereis o problema em sua substância; e sua substância é o homem, sua psicologia, sua alma, onde se encontra a motivação de suas acções, a fonte original dos acontecimentos humanos. Eis aí a chave do futuro.

Vosso multimilenário ciclo de civilização está a esgotar-se; deveis retomá-lo em nível mais elevado, vivê-lo mais profundamente, não somente crendo, mas, também, "vendo".

Ai de vós se, depois de haverdes atingido o domínio do planeta, não dominardes a máquina, a riqueza e as vossas paixões, com um espírito puro.

Sois livres e podeis também retroceder. No período que resta deste século se decidirá do terceiro milénio. Ou vencer, ou morrer: e a morte, desta vez, é a morte pior, porque é morte de espírito.

A todos eu digo: " Ressuscitai com a minha ressurreição ".

 

III

MENSAGEM DO PERDÃO

( 2 de Agosto de 1932, dia do " Perdão da Porciúncula " de São Francisco de Assis )

 

Filho meu, minha voz não despreza tuas pequeninas coisas de cada dia, mas delas se eleva para as grandes coisas de todos os tempos.

Ama o trabalho, inclusivé o trabalho material.

Coisa elevada e santa, o trabalho, presentemente, foi transformado em febre. De que não se tem abusado entre vós ?

Que coisa ainda não foi desvirtuada pelo homem ?

Em tudo vos excedeis e, por isso ignorais o labor equilibrado, que tão elevado conteúdo moral encerra: se busca o necessário ao corpo, ao mesmo tempo contenta o espírito. E, no entanto, transformaste esse Dom divino, com o qual poderíeis plasmar o mundo à vossa imagem, em tormento insaciável de posse. Substituistes a beleza do acto criador, completo em si mesmo, pela cobiça que nunca descansa. Quantos esforços empregados para envenenar-vos a vida !

Ama o trabalho, mas com espírito novo; ama-o, não pelo que ele é propriamente, porém, como um acto de adoração a Deus, como manifestação de tua alma, nunca como febre de riqueza ou domínio. Não prendas tua alma aos seus resultados, que pertencem à matéria e, portanto, sujeitos à caducidade; ama, porém, o acto, somente o acto de trabalhar. Não seja a posse, o triunfo, a tua recompensa, mas sim, a satisfação íntima de haveres cumprido, cada dia, o teu dever, colaborando assim no funcionamento do grande organismo colectivo.

Esta é a única recompensa verdadeira, indestrutível, solidamente tua; as demais depressa se dissipam e se perdem. Ainda que nenhum resultado positivo obtivesses, uma recompensa ficaria contigo para sempre: a paz do coração, paz que o mundo perdeu por prender-se às coisas concretas, julgando-as seguras.

Desapega-te de tudo, inclusive do fruto de teu trabalho, se queres entrar na posse da paz. Ocupa-te das coisas da terra, mas apenas o suficiente para aprenderes a desapegar-te delas.

Toda a construção deve localizar-se no teu espírito, deve ser construção de qualidades e disposições da personalidade, e não edificação na matéria, que é um remoinho de areia que nenhum sinal pode conservar.

Tudo o que quiserdes vos seja unido eternamente deve ser unido por qualidades e merecimento, deve ser enlaçado pela força subtil da Lei, por vós movimentada, nunca por vossa força exterior, ou por vínculos das convenções sociais ou ainda por liames da matéria. Só nesse sentido se pode realmente possuir: de outro modo, não obtereis senão a tristeza depois da ilusão e a consciência posterior da inutilidade de vossos esforços.

Outro grande problema, que vos diz respeito, é o amor. Elevai-vos em amor, como deveis elevar-vos em todas as coisas, se quereis encontrar profundas alegrias. Martelai vossa alma, num íntimo trabalho de cada dia, que vos leva à conquista de amores sempre mais extensos, únicos que têm a resistência das coisas eternas.

Sabes que o amor se eleva do humano ao divino e que nessa ascensão ele não se destrói, mas se fortalece, aperfeiçoando e multiplicando-se. Segue-me e, então, poderás entoar o cântico do amor.

" Meu corpo tem fome e eu canto; meu corpo sofre e eu canto; minha vida é deserta e eu canto; não há carícias para mim, porém todas as criaturas vêm a mim. Meu irmão de mim se aproxima como inimigo, para prejudicar-me, e eu lhe abro os braços em sinal de amor. Eu vos bendigo a todos vós que me trazeis a dor, porque com ela me trazeis a purificação, que me abre as portas do céu. Minha dor é um cântico que me faz subir. Louvado sejas, ó Senhor, pelo que é a maior maravilha da vida; que as pobres intenções malignas de meu próximo sejam para mim a Tua Benção ".

Estes meus ensinamentos são dirigidos mais à vossa intuição que ao vosso intelecto. Tem um sentido mais amplo o que vos tenho dito: a felicidade dos outros é vossa única felicidade, verdadeira e firme. Significa extinção dos egoísmos num amplexo universal de altruísmo. Tudo isso pode ser de fácil compreensão, mas é difícil senti-lo. Não procuro vossa razão que discute, antes busco essa visão interior que em vós opera, que sente por imediata concepção, que enxerga com absoluta clareza e lealmente se entrega à acção.

Peço-vos o ímpeto que somente nasce do calor da fé e que nunca vem pelos tortuosos caminhos do raciocínio. Não desejo erudição, pesquisas e vitórias do intelecto; quero, antes, que vejais, num acto sintético de fé e que imediatamente vivais vossa visão, e personifiqueis a ideia avistada, e resplendais vós mesmos, em seu esplendor. Somente então a ideia viverá na Terra e personificado em vós existirá um momento da concepção divina.

Não estou apelando para vossos conhecimentos nem para vosso intelecto, que não são património de todos, mas venho até junto de vós por caminhos inabituais e em vós penetro como um raio que desce às profundezas e dissipa as trevas, que cintila e vos arrasta através de novas vias, com forças novas, que levantarão o mundo como num turbilhão.

Também falarei, para ser entendido, a linguagem fria e cortante da razão e da ciência, porém usarei, acima de tudo, da linguagem ardente e directa da fé. Minha palavra será ora o brado de comando, ora a ternura de um beijo de mãe.

Para ser por todos compreendida, minha palavra percorrerá os extremos da sabedoria e de singeleza, de força e de bondade. Será pranto de amargura e remoinho de paixão; será nostálgico lamento, suspirando por uma grande pátria distante, como será também ímpeto de acção para até ela vos conduzir. Minha palavra rolará, por vezes, como regato sussurrante em verde campina, a trazer-vos o frescor das coisas puras; outras vezes, trovejará com os elementos enfurecidos na fúria da tempestade.

Ao seio de cada alma quero descer e adaptar-me a fim de ser compreendido; para cada uma devo encontrar uma palavra que a penetre no mais íntimo, que a abale, que a inflame e a arroje para o Alto, onde eu estou, que até junto de mim a conduza, onde eu a espero.

Almas, almas eu peço. Para conquistá-las vim das profundezas do infinito, onde não existe espaço nem tempo, vim oferecer-vos meu abraço, vim de novo dizer-vos a palavra da ressurreição, para elevar-vos até mim, para indicar-vos um caminho mais elevado onde encontrareis as alegrias puras.

Vós vos identificastes de tal modo com a vida física que já não podeis sentir senão uma vida limitada como a do vosso corpo. Pobre vida, rápida e cheia de incertezas, enclausurada nas limitações de vossos pobres sentidos. Pobre vida, encerrada num ataúde, na sepultura que é o corpo a que tanto vos agarrais. Minha voz encerrará todos os extremos de vossas diferentes psicologias. Escutai-me !

Não vos ensino a gozar das coisas terrenas, porque são ilusórias; indico-vos as alegrias do céu, porque somente estas são verdadeiras. Minha verdade não é a fácil verdade do mundo; não vos prometo alegrias sem esforços, mas minha promessa não vos ilude. Meu caminho é caminho de dor, porém, eu vos digo que somente ele vos conduzirá à liberação e à redenção. Minha estrada é de luta e de espinhos, mas vos fará ressurgir em mim, que vos saciarei para sempre. Não vos digo: " Gozai, gozai ", como o mundo vos fala. O mundo, porém, vos engana; eu nunca vos engano.

Minha verdade é áspera e nua, contudo é a verdade. Peço o vosso esforço, mas vos dou a felicidade. Digo-vos: " Sofrei ", mas junto de vós estarei no momento da dor; com a piedade maternal, velarei por vós; medindo todo o vosso esforço, proporcionarei as provas segundo vossa capacidade; finalmente, farei o que o mundo não faz; enxugarei vossas lágrimas.

O mundo parece espargir rosas, mas na verdade distribui espinhos; eu vos ofereço espinhos, porém vos ajudarei a colher as rosas.

Segui-me, que o exemplo já vos dei. Levantai-vos, ó homens: é chegado o momento. Não venho para trazer guerra, mas sim, paz. Não venho trazer dissensão às vossas ideias nem às vossas crenças: venho fecundá-las com meu espírito, unificá-las na minha luz.

Não venho para destruir e sim para edificar. O que é inútil morrerá por si mesmo, sem que eu vos dê exemplo de agressividade.

Desejaríeis sempre agredir, até mesmo em nome de Deus. Com que grande avidez ansiais por discussões e lutas contra vossos próprios irmãos, prontos a profanar, assim, minha pura palavra de bondade. Repito-vos: " Amai-vos uns aos outros ".

Não discutais, mas daí o exemplo de virtude na dor; amai vosso próximo; aprendei a estar sempre prontos para prestar um auxílio, em qualquer parte onde haja um padecimento a aliviar, uma carícia a oferecer. Vossas eruditas investigações tornaram tão ásperas vossas almas que não vos permitiram avançar um só passo para o céu.

Não venho para agredir, mas para ajudar; não para dividir, mas unir; não demolir, mas edificar. Minha palavra busca a bondade, antes que a sabedoria. Minha voz a todos se dirige. Ela é ampla como o universo, solene como o infinito. Descerá aos vossos corações, às vezes com a doçura de um carinho, outras vezes arrastadora como o tufão.

Do Alto e de muito longe venho até vós. Não podeis perceber quão longe é o caminho que nós, puro pensamento, devemos percorrer a fim de superar a imensa distância espiritual que nos separa de vós, imersos na terra lodosa. Vossas distâncias psicológicas são maiores e mais difíceis de serem vencidas que as distâncias de espaço e de tempo. Por isso, às vezes, chego fatigado. Minha fadiga, porém, não é cansaço físico: provém apenas do desalento que me nasce de vossa incompreensão. E, no entanto, minha palavra tem a doçura da eternidade e do infinito. Tem tonalidade tão ampla como jamais possui a voz humana: deveríeis, por isso, reconhecer-me.

Venho até vós cheio de amor e de bondade, e me repelis. Eu, que vejo os limites da história de vosso planeta; eu, que num rápido olhar, vejo sem esforço toda a laboriosa ascensão desta humanidade cujo pai sou; eu me faço pequenino hoje, limito-me e me encerro num átomo de vosso momento histórico para que possais compreender-me.

Se vos falasse com minha voz potente, não me entenderíeis. Meu olhar contempla a Terra, quando o homem ainda não a habitava e também a vê, no futuro distante, morta, a navegar no espaço como um ataúde de todas as vossas grandezas. Vejo vosso sol moribundo, depois morto e em seguida chamado a uma nova vida. Vejo, além desse átomo que é o vosso planeta, uma poeira de astros a revolutearem sem cessar pelos espaços infinitos, e todos eles transportando consigo humanidades que lutam, sofrem, vencem e se elevam. Tudo vejo, tudo leio nos vossos corações como nos corações de todos os seres.

Além do vosso universo físico, vejo um maior universo moral, onde as almas, na sua laboriosa ascensão, cumprindo seu diuturno esforço de purificação para o Alto, cantam o mais glorioso hino à Divindade. Esplendorosa luz existe no centro moral do universo, luz que atrai todos os seres por uma força de gravitação moral mais poderosa do que aquela que mantém associados no espaço as grandes massas planetárias e estelares. Tudo vejo, mas nada falo para não vos perturbar. Tudo vejo e minha mão possante firma o destino dos mundos. Poderia mudar o curso dos astros, mas nós somos lei, ordem e equilíbrio e não aprovamos violações. Empunho o destino dos povos, e, no entanto, venho humildemente até vós, para entre vós colher o perfume que se desprenda de uma alma simples.

Esse é meu único conforto, quando desço ao vosso mundo, às camadas profundas e obscuras de matéria densa, formadas de coisas baixas e repugnantes. Aquele perfume parece perder-se na vossa atmosfera carregada de emanações perniciosas, como que vencido pelas forças envolventes do mal. Eu o percebo, no entanto, elegendo-o, e recolho como se guarda uma jóia humilde, porém preciosa. Recolho a delicada florzinha, humilde e gentil, desabrochada na lama, e a guardo em meu coração, onde ela repousará. É o único carinho que encontro em vosso mundo, o único hino, puro e singelo, que me faz descansar. Como a criancinha repousa aos cânticos de sua mãe, que lhe parecem os mais belos, assim me acalento, invadido por infinita doçura, no seio dessas vozes humildes dispersas em vosso mundo.

Essa é a única trégua em meio ao trabalho de iluminar e guiar-vos, ó homens rebeldes, que acreditais dominar e sois dominados, que pensais subir, mas, na verdade, desceis. Eu poderia, contudo, atemorizar-vos por meio de prodígios, aterrorizar-vos com cataclismos. Convencer-vos-ia, no entanto ? Minha mão se levanta sobre vós, que sois maus, como uma benção, nunca para vinganças.

Escutai com atenção esta grande palavra: desejo que o equilíbrio, violado pela vossa maldade, se restabeleça pelos caminhos do amor e não pelo castigo. Compreendereis a grande diferença ?

Eis as razões da minha intervenção, da minha presença entre vós.

A Lei quer o equilíbrio. É a Lei. Vós a desrespeitastes com vossas culpas, ultrajando assim a Divindade. O equilíbrio " deve " restabelecer-se, a reacção " deve " verificar-se, o efeito " deve " acompanhar a causa, por vós livremente buscada.

Deus vos quer livres, já o sabeis. Pois bem, eu venho para que o equilíbrio se restabeleça pelos caminhos do amor e da compreensão; venho para incitar-vos, com palavras de fogo, ao entendimento, estimular-vos a retomar livremente a via da redenção; finalmente, venho ensinar-vos a fazer de vossa liberdade um uso que vos eleve e salve, e não que vos rebaixe e condene. Venho tornar-vos conscientes dessa Lei que vos guia e da maneira de restaurardes a ordem violada, a fim de que essa violação não venha a recair sobre vós, como tremendo choque de retorno que destruirá vossa civilização.

Venho para salvar-vos, para salvar o que de melhor possuís, o que fatigosamente os séculos têm acumulado, ao preço de muitas dores e de muito sangue.

Entre a necessidade férrea da Lei que, inexoravelmente, volve ao equilíbrio, interponho hoje o meu amor e a minha luz, como já interpus a minha dor e o meu martírio !

Homens, tremei ! É supremo o momento. É por motivos supremos que do Alto desço até vós. Escutai-me: o mundo será dividido entre aqueles que me compreendem e me seguem e aqueles que não me compreendem e não me seguem. Ai destes últimos ! Os primeiros encontrarão asilo seguro em meu coração e serão salvos; sobre os outros a Lei, não mais compensada pelo meu amor, descerá inelutavelmente e eles serão arrastados por um vendaval sem nome para trevas indescritíveis.

Não vos iludias: reconhecei a minha voz. Reconhecei-a pela sua imensa tonalidade, pela sua bondade sem fronteiras. Algum homem, porventura, já falou assim ? Falo-vos de coisas singelas e elevadas, de coisas boas e terríveis. Sou a síntese de todas as Verdades.

Não me oponhais barreiras de vossas almas, mas escutai, ponderai, deixai que este raio de luz que vem de Deus desça à vossa consciência e a ilumine. Eu vo-lo rogo, humilhando-me em vossa presença; humildemente, para vossa salvação, eu vos suplico: escutai a minha voz !

Que sobre vós desça a paz. A paz ! A paz que não mais conheceis venha sobre vossas almas ! Entre vós e a divina justiça está minha oração: " Deus perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem ".

Pobres seres perdidos na escuridão das paixões; pobres seres que tomais por luz verdadeira o ouro fascinador das coisas falsas da Terra ! Pobres seres, maus e perversos ! E, no entanto, sois meus filhos e por amor de vós de novo subiria à cruz para vos salvar. Pobres seres que, numa vitória efémera de matéria, que chamais civilização, haveis perdido completamente o único repouso do coração - a minha paz.

Escutai-me. Falo-vos com amor, imenso amor. Fui por vós insultado e crucificado, e vos perdoei; perdoo-vos ainda e ainda vos amo. Trago-vos a paz. Até junto de vós retorno para falar-vos de uma ciência que a vossa não conhece, para pronunciar-vos a palavra que nenhum homem sabe falar, palavra que vos saciará para sempre. Escutai-me.

Minha voz conduzirá vosso coração a um êxtase que nenhuma vitória material, que nenhuma grandeza do mundo jamais vos poderá dar.

Como um clarão intuitivo, minha luz espargirá sobre vós uma compreensão a que os laboriosos processos de vossa razão não chegarão jamais. A razão, filha do raciocínio, discute e calcula, mas eu sou o clarão que em vós se acende e pode, num átomo, transformar-vos em heróis. Aceitai, suplico-vos, este supremo Dom que vos ofereço e pelo qual vim de tão longe até junto de vós: aceitai esta dádiva esplêndida, que é a minha paz. É a bem-aventurança do céu, que vos trago de mãos cheias; é a felicidade que coisa alguma terrena jamais vos poderá dar. Reconhecei a minha paz ! Para recebê-la, abri todas as portas de vossa alma ! Dela saciai-vos, com ela inebriai-vos ! É um Dom imenso que vos trago do seio de Deus, é uma graça com que o meu imenso Amor recompensa a vossa ingratidão.

Até vós eu venho, trazendo os mais lindos dons, para derramar sobre vossas almas a verdadeira felicidade. Venho para suavizar a Justiça Divina. Fiz longa e fatigante viagem, do meu céu radioso às vossas trevas. Vim espontaneamente, pelo amor que vos consagro. Não renoveis as torturas do Getsémani, as angústias da incompreensão humana, os tormentos de um imenso amor repelido.

Quem sou eu ? - Perguntais-me.

Sou o calor do sol matinal que vela o desabrochar da florzinha que ninguém vê; sou equilíbrio que, na variação alternadora dos elementos, a todos garante a vida. Sou o pranto da alma quebrantada, em que desabrocha a primeira visão do divino. Sou o equilíbrio que, nas mudanças dos acontecimentos morais, a todos promete salvação.

Sou o rei do mundo físico de vossa ciência; sou o rei do mundo moral que não vedes.

Sempre me procurais, em toda a parte. Sempre mais profundamente vos escapo, de fibra em fibra, nas vossas mesas de anatomia, de molécula em molécula nos vossos laboratórios. Vós me procurais, dilacerando e dissecando a pobre matéria: mas eu sou espírito ( comprova-se, aqui, que a Ressurreição do Senhor Jesus foi espiritual, nunca física ), e animo todas as coisas. Não com os olhos e os instrumentos materiais, mas somente com os olhos e os instrumentos do espírito podereis encontrar-me.

Sou o sorriso da criança e a carícia materna; sou o gemido daquele que morre implorando salvação; sou o calor do primeiro raio de sol da primavera que traz a vida e sou o vendaval que traz a morte; sou a beleza evanescente do momento que foge; sou a eterna harmonia do Universo.

Sou Amor, sou Força, Sou Ideia, sou Espírito que tudo vivifica e está sempre presente. Sou a Lei que governa o organismo do universo com maravilhoso equilíbrio. Sou a Força irresistível que impulsiona todos os seres para a ascensão. Sou o cântico imenso que a criação entoa ao Criador.

Tudo sou e tudo compreendo, até o mal, porquanto o envolvo e o limito aos fins do Bem. Meu dedo escreve, na eternidade e no infinito, a história de miríades de mundos e de vidas, traçando o caminho ascensional dos seres que para mim se voltam, seres que atraio com meu Amor e que recolherei na minha luz.

Muitos mundos já vi antes do vosso, muitos verei depois dele. Vossas grandes visões apocalípticas para mim são pequeninas encrespaduras nas dimensões do tempo. Virei, entre raios de tempestade, para dobrar os orgulhosos e elevar os humildes. Virei vitorioso na minha glória e no meu poder, triunfante do mal, que será rechaçado para as trevas.

Tremei, porque quando eu já não for o Amor que perdoa e vos protege, serei o turbilhão que tempestua, serei o desencadear dos elementos sem peias, serei a Lei que, não mais dominada pela minha vontade, trazendo consigo a ruína, inexoravelmente explodirá sobre vós.

Tudo é conexo no Universo; causas físicas e efeitos morais, causas morais e efeitos físicos. Um organismo compressor vos envolve e nele estais presos em cada acto vosso.

Minha poderosa mão firma o destino dos mundos e, no entanto, sabe descer até à mais humilde criancinha para lhe suster, carinhosamente, o pranto. Essa é a minha verdadeira grandeza.

Ó vós que me admirais, tímidos, no ímpeto da tempestade, admirai-me, antes, no poder que tenho de fazer-me humilde para vós, no saber descer do meu elevado reino à vossa treva ; admirai-me nessa força imensa que possuo de constranger meu poder a uma fraqueza que me torna semelhante a vós.

Não vos peço que compreendais meu poder, que me situa longe de vós; rogo-vos que compreendais o meu amor que me assemelha a vós e me coloca ao vosso lado. Meu poder poderá desalentar-vos e atemorizar-vos, dando-vos de mim uma ideia não justa, a de um senhor vingativo e despótico. Não mais quero vossa obediência por temor. Agora deve despontar uma nova aurora de consciência e de amor. Deveis elevar-vos a uma lei mais alta e eu retomo hoje para anunciar-vos a boa nova. Não sou um senhor vingativo e tirânico, como outrora, por necessidade, me supuseram os povos antigos: sou o vosso amigo e é com palavras de bondade que me dirijo ao vosso coração e à vossa razão.

Não mais deveis temer, mas sim, compreender. Vossa razão infantil já acordou e nela venho lançar minha luz. Sou síntese de verdade e em toda a parte ela surgirá, atingindo a luz da vossa inteligência.

Não trago combates, mas paz. Não trago divisões de consciência e, sim, união de pensamentos e de espíritos.

A humanidade terrestre aproxima-se de sua unificação, numa nova consciência espiritual. Não vos insulteis, pois, antes, compreendei-vos uns aos outros. Que cada um concorra com o seu grãozinho para a grande fé e que esta vos torne todos irmãos.

Que a religião, que é revelação minha, e a ciência, que é o vosso esforço e todas as vossas intuições pessoais se unam estreitamente numa grande síntese, e seja esta uma síntese de verdade.

 

Porque eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

IV

MENSAGEM AOS CRISTÃOS

( No XIX Centenário da Morte de Cristo )

Ó Cristãos do mundo inteiro, que tendes feito em dezanove séculos de trabalho, pela realização na Terra, do Reino dos Céus ?

Ao lado da criação de uma civilização, da direcção milenária dada ao pensamento humano, de obras colossais da arte, de uma multidão de mártires, génios e santos, ao lado de todo o bem que o Cristianismo tem trazido por força da divina centelha que o anima, quanto mal proveniente da fraqueza humana em cujo meio tem operado !

Quanta resistência tendes oposto a esse divino impulso que anseia por elevar-vos !

Quanta tenacidade vossa para permanecerdes substancialmente pagãos ! Quantas tempestades não tem o homem desencadeado, com suas paixões, em torno da nave da Igreja de Roma !

A dura necessidade de comprimir o incoercível pensamento da forma, em regras disciplinares, e de cobrir a verdade resplandecente com um véu de mistério, foi imposta pelo vosso instinto de rebeldia, que de outro modo teria levado o princípio original a fragmentar-se no caos.

Algumas elevadas verdades que o Cristianismo contém não puderam exercer acção senão por motivo da imaturidade dos homens; certas liberdades não podem ser concedidas àqueles que estão sempre a abusar de tudo. Que imenso esforço, que longo caminho deve percorrer a ideia divina até poder concretizar-se na Terra !

Nunca vos interrogastes que imensa força moral representaríeis no mundo se fosseis verdadeiramente Cristãos ? Nunca a vós mesmos perguntastes que paraíso seria a Terra se houvésseis compreendido e praticado a boa nova do amor evangélico ? Em vez disso, que triste espectáculo ! A palavra de unidade subdividiu-se, o rebanho está desunido, os filhos de Cristo já não são irmãos, mas inimigos !

É chegada a hora de despertardes à luz de uma consciência maior. O tempo maturou o momento de grandes abalos, inclusivé no campo do espírito. E no momento decisivo eu venho lançar no mundo a ideia decisiva. Venho reunir-vos a todos, ó Cristãos do mundo, a fim de que, acima da forma que vos divide, vos aconchegueis em torno da figura de Cristo e encontreis de novo uma unidade substancial.

Isso vos digo em Seu nome, quando se completam dezanove séculos de Sua morte e a história se encaminha para o terceiro milénio. Digo-vos que deveis abraçar-vos novamente em face da ameaça do iminente momento histórico, a fim de que vossa união constitua uma barreira contra o mal, que se prepara para desencadear um tremendo ataque. As grandes lutas exigem grandes unificações.

Não toco em vossas divisões de forma, mas enfatizo a substância da ideia do Cristo, de que todas as vossas crenças nasceram. Quero que se vivifique a fé, desfalecente em vossas almas; que se reanime a fé nas coisas eternas, já escritas com tanta simplicidade; que de novo viva o singelo espírito do Evangelho e vos torne todos irmãos. É somente disso que o mundo precisa e essa é a solução para todas as crises. Não são necessárias novos sistemas: é preciso que surja o homem novo.

Eu venho para unir, não para dividir; trago paz e não guerra. Não toco em vossas organizações humanas, mas vos digo: Amai-vos em nome do Cristo e vossas organizações se tornarão perfeitas.

Antes do início do novo milénio, todos os valores humanos sofrerão uma grande revisão e a fé se enriquecerá com a contribuição da razão e da ciência. Na iminência dos tempos, que toda a Cristandade volva seu olhar para o farol de Cristo.

Vinde, todos vós, ó homens que vos iludis pensando possuir uma verdade diferente. Deus é a verdade única, substancialmente idêntica em todas as religiões, na ciência como na fé.

Se os caminhos, as aproximações são diferentes, o princípio e a meta são a mesma ideia pura e simples do amor fraternal, ideia tanto dominante no Evangelho como no universo. Os profetas afirmaram com variação de poder e aspectos o mesmo princípio.

A humanidade encaminha-se para as grandes unidades políticas e espirituais. Que não surjam novas religiões e sim que as existentes se unifiquem numa fusão de fé que envolverá o mundo. O progresso encontra-se no amor recíproco, que une, e nunca na rivalidade, que divide.

Paz, união e amor sejam convosco na minha benção.

 

V

MENSAGEM AOS HOMENS DE BOA VONTADE

( No XIX Centenário da Morte de Cristo )

 

Do alto da Cruz vos contemplo, homens de boa vontade, de todas as raças e crenças. Estas vos dividem; a minha palavra vos unifica.

Não falo somente aos Cristãos, porém a todos os meus filhos, que são os justos da Terra, qualquer que seja a sua raça ou fé. Falo a todos, não considerando vossas diferenciações humanas. Minha palavra é universal como a luz do sol. A Divindade não se pode isolar numa igreja particular. Eu vos digo o que é verdadeiro e justo, e o que vos falo perdura a quem quer que seja dito. A mentira que me desfigura passa: eu permaneço. Não importa que a bondade seja explorada pelos maldosos; o Bem acaba triunfando. Eu amo a todos.

Vós, homens, buscais bandeiras limpas para transformá-las em mantos brilhantes. E quem pode impedir que, em vosso mundo de hipocrisias, os maus se escondam à sombra das coisas puras e que os falsos se acobertem sob os luzentes mantos de que se apossam ? Então, as crenças e as religiões deixam de ser uma ideia, um princípio, para se tornarem um aglomerado de interesses, uma organização de castas.

Assim, formastes hierarquias, seitas, ordens e grandezas que não têm correspondência no céu. Vossas classificações são absolutamente humanas, fictícias, de acordo com as aparências da Terra e não com os valores intrínsecos do espírito. Por isso, ficarão aí em vosso mundo e nunca se elevarão além da Terra.

Minha discriminação é diferente. Os escolhidos são aqueles que seguem meu caminho de dor e de renúncia, de humildade e de amor. Vinde a mim, vós que sofreis. Sois os grandes, os eleitos do Céu. Está é a minha diferenciação. As que são feitas pelos homens não têm valor. Não importa o manto, mas o homem que o veste. Somente no caminho da dor e do amor encontrareis os que são grandes em meu Reino. Eis onde, na luta absurda entre tantas vozes e organismos contrários, achareis o bem, a justiça e a verdade.

Em toda a parte, nos vossos agrupamentos, se encontram os bons e os maus; estes últimos, quase sempre, preocupados em tornar objecto de discussão uma verdade que não possuem. A verdade está no coração e nos actos e não nas formas e nas posições humanas.

Procurai o bem; procurai, onde quer que esteja o homem, nunca o estandarte. Fazei questão do homem, da nua e intrínseca realidade de seus valores íntimos, e não dos sinais que o marquem exteriormente. Estes se podem falsificar, não o homem. A bandeira pode reduzir-se a um índice de interesse colectivos; o homem, porém, segue sozinho pelo caminho de seu destino.

Justos e injustos se encontram sobre a Terra, uns aos lado dos outros, para provações recíprocas; achá-los-eis juntos, usando todos o mesmo nome da verdade. Somente eu, que leio nos corações, os diferencio, como também pode fazê-lo a voz de vossa consciência, em que penetro e falo.

Os meus filhos estão, por isso, em toda a parte, contudo, não os sabeis enxergar. Só eu os vejo. A dor e a morte, que matam os outros, os elevam. A minha maneira de diferenciar está acima de todas as categorias humanas.

O meu Reino não é da Terra. O seu Rei não tem corpo físico. Os seus grandes nada possuem no mundo, mas sofrem e amam.

Minha religião mais profunda não tem forma terrena, não possui nenhuma dessas exterioridades, próprias da matéria e da imperfeição humana, e que sempre foram a base de todos os abusos.

O meu altar é a dor, a minha oração é o amor, a minha religião é a união com Deus no pensamento e nos actos.

Acima de todas as formas que vos dividem, ó homens da Terra, eu sou o princípio que vos une ao meu amor.

VI

MENSAGEM DA PAZ

Escrita na Noite de Quinta-feira Santa,

no Monte de Santo Sepulcro, diante da Verna

Páscoa de 1943

Minha última mensagem, pela Páscoa de 1933, XIX Centenário da morte de Cristo, dirigida, em dois momentos aos Cristãos e aos Homens de Boa Vontade, foi minha derradeira palavra naquele ciclo de preparação e esperança.

Já se encontram amadurecidos muitos acontecimentos ali preanunciados.

Até junto de vós retorno, nesta Páscoa de 1943, após dez anos, na violenta constrição de uma dor que parecia impossível e, no entanto, se tornou realidade; venho trazer conforto aos homens e aos justos, àqueles que crêem. Venho dizer, no seio tumultuoso da destruição universal, a equilibrada palavra de paz. É esta, por isso, a mensagem da paz.

Tende fé e a fé vos fará superar todas as provas. Deus as permite para que aprendais a usar de vossa liberdade e não para vossa destruição. Não vos desgarreis no caos, que é só aparente. Imersos como estais no pormenor, na aflição, na fadiga, não enxergais e não compreendeis o bem que existe além da aparência do mal.

Deus, no entanto, invisível e omnipresente, está ao vosso lado, caminha convosco, acompanha os vossos passos e vos guia; sempre vos provê, além da aparente desordem, com a ordem imensa e eterna de Suas sábias leis. Sua Mão se inclina para o humilde, para o fraco, para o vencido, a fim de erguê-lo de novo. Que vos conforte esta afirmação de uma divina lei de justiça acima da lei humana da força.

Diante de dois caminhos vos deixei e fizestes a escolha. O mundo tem a prova que livremente desejou.

Desde que vos deixei, o mundo tem percorrido velozmente o caminho da História. O mais profundo caminho e a mais proveitosa lição se encontram na dor, escola e sanção de Deus.

Repousareis. Assim é necessário, a fim de que os resultados do esforço desçam em profundidade e sejam assimilados. Não vos detenhais, no entanto, nos pormenores do momento ou do caso particular, que não constituem toda a vida. Esta se encontra nas grandes trajectórias de desenvolvimento da Lei, em que se exprime o pensamento de Deus.

Somente se vos elevardes encontrareis a verdade universal, imóvel no movimento, a justiça perfeita. Somente se vos transportardes acima das contingências do momento e do lugar, achareis a completa liberdade, a tranquilidade do absoluto, a paz que está acima da vitória ou da derrota, a verdadeira paz, tão distante das coisas humanas.

Elevar-se é a grande meta da vida - elevar-se pelos caminhos do espírito - e esse trabalho, sempre possível e livre, pode ser seguido e levado a termo, em qualquer época ou lugar. Ninguém, em nenhum caso, pode tolher a liberdade de vos construirdes a vós mesmos, avançando assim em qualidade e poder. E esta ascese é o que mais importa; é para atingi-la que sofreis as provas da vida.

Após cada curva da história, obtém-se seu sumo, sua verdadeira colheita, que é a ascensão.

As verdadeiras riquezas não se encontram fora de vós: estão em vosso íntimo e são elas que vos fazem mais poderosos e felizes. São os vossos bons predicados, que nunca se perderão; e não vossas posses materiais, que hão de desaparecer.

Qualquer que seja o turno de vencedores ou vencidos, suceder-se-ão, como vaga após vaga, as multidões dos que sofrem e dos que gozam; e o triunfo pode ser instrumento de perdição e a desventura, de ressurreição. Nenhuma vida, como nenhuma força, pode ser anulada; tudo sobrevive, transformando-se. Substancialmente, a guerra a ninguém destrói.

Minha palavra, que está acima do mundo e de suas lutas, diz, repetindo a lei de Deus que rege a vida: ai de quem possuindo apenas a superioridade da força, dela abusa, esquecendo a justiça. Tudo é compensado na Lei e se paga com longas reacções sucessivas, de ódios e vinganças. ( Em encarnações futuras de grande sofrimento ).

A palavra do equilíbrio ensina ao vencedor que não é lícito abusar da vitória, pois, por isso, se paga; e indica ao vencido os caminhos do espírito, em cuja liberdade é possível restaurar as próprias forças em face de qualquer escravidão exterior. O primeiro acomete as fronteiras naturais da força, o segundo nas privações encontra a liberdade.

Voltará o sol a brilhar e a vida florescerá de novo, após a tempestade. É a lei de equilíbrio. O que importa, sobretudo, é que aprendais a lição. Recordai: que cada um guarde, na profundeza do espírito, com o poder de uma convicção, de uma qualidade adquirida, o fruto de tantas provações. E que a nova floração de vida não interrompa numa algazarra louca de carne satisfeita, numa orgia de matéria triunfante.

O escopo da guerra e o conteúdo da vitória não se acham no triunfo material, mas num triunfo do espírito, numa nova civilização.

Ai de vós, se não houverdes aprendido a dura lição e não mudardes de roteiro. Se, em vez de subirdes pelos caminho do espírito, voltardes a palmilhar as velhas estradas, haveis de recair sob as mesmas dolorosas consequências, cada vez mais graves.

Minha voz é universal e se desvia das dissenções humanas. Tem às vezes, no entanto, necessidade de descer. Diz-se, então, com escândalo: Deus é parcial. Mas existe uma balança, um reflexo de justiça, uma ordem também na História e nela devem actuar. A imparcialidade absoluta seria indiferença e ausência de Deus. A justiça e a ordem, que são os princípios do ser, devem descer também à Terra e aí operar, pesando sobre o mal e vencendo-o, no choque das forças.

De outro modo, Deus estaria somente no céu, e não presente e activo também no mundo, entre vós, no meio de vossas lutas. Estas são guiadas por Ele, a fim de que não se reduzam a absoluta destruição e caos, mas sejam instrumento de construção e de bem. Ele as guia para que as provas e as dores do mundo redundem no fruto que é a ascensão do espírito, objectivo da vida.

Deixo-vos, por isso, para confronto dos justos, estas verdades: o vosso esforço, mesmo que não possa ser senão individual e isolado, quando é puro e sincero e se dirige ao supremo escopo da elevação espiritual, também se encontra na trajectória da vida. É, por isso, protegido e encorajado, porque essa é a trajectória ordenada pela lei de Deus. Por essa mesma lei, segundo a qual o universo está construído e que lhe regula o funcionamento orgânico, as forças do mal, embora todas as dificuldades e resistências, jamais poderão prevalecer sobre as forças do bem.

É fatal, pois, o triunfo final do espírito e no espírito vencereis. Essa vitória vale a imensa dor que é seu preço.

Amplamente já está sendo executado o plano divino da vida.

 

VII

MENSAGEM DA NOVA ERA

Escrita na vigília do Natal de 1953, em S. Vicente,

São Paulo, Brasil

 

No silêncio da noite santa, como te falei pela primeira vez para iniciar a Obra, volto a falar-te agora, após tantos anos. ( Afirmação dirigida, exclusivamente, a Pietro Ubaldi )

Retorno em meu ritmo decenal, iniciado na Páscoa de 1933 com a Mensagem aos Homens de Boa Vontade e a Mensagem aos Cristãos e prosseguindo na Páscoa de 1943 com a Mensagem da Paz.

Desta vez, dez anos depois, neste 1953, volto a falar-vos, ( agora dirige-se a todos ), porém no Natal, porque este dia é dia de nascimento e esta é a Mensagem nova: no Natal, como aconteceu em 1931, porque, após todas as outras Mensagens pascais, esta é a que conclui a série.

Venho trazer-vos a palavra da esperança, porque no caos do mundo estão despontando as novas e primeiras luzes da alvorada. O tempo caminha e já entrastes na segunda metade do século, quando se realiza o que foi predito em minha primeira mensagem, no Natal de 1931. Haveis entrado, assim na fase de preparação activa da nova civilização.

Venho falar-vos na hora assinalada pelo ritmo que preside ao desenvolvimento ordenado dos acontecimentos, de acordo com a vontade do Alto.

O trabalho avançou, firme e constante, nestes vinte anos que estão terminando, através de tempestades que destruíram nações e modificaram o mapa político do mundo; avançou, a tudo resistindo, constante e firme, como sucede com as coisas desejadas pelo Alto. O trabalho prosseguiu, escondido no silêncio, protegido pela sombra da indiferença geral, aparentemente confiado a um homem pobre e sozinho ( refere-se a Pietro Ubaldi ), com mínimos recursos humanos, vencendo apenas com as forças da sinceridade e da verdade, da maneira mais humilde e simples, enquanto as vossas maiores organizações humanas se desmoronavam. Hoje o milagre se cumpriu. Esta é para vós uma prova de verdade.

Tendes hoje diante dos olhos um sistema completo, que com um princípio unitário soluciona todos os problemas e traz resposta a todas as perguntas. Tendes hoje a orientação que vos fornece a chave para explicar os enigmas do universo. Podeis usá-la, desde já, também pessoalmente, para continuar a pesquisa ao infinito no particular analítico. As gerações passarão, contemplando a ciclópica construção de pensamento elevado para o Alto na hora do destino do mundo.

Do vértice da pirâmide uma luz resplandecerá para iluminar o mundo: esta luz se chama Cristo.

E as gerações caminharão, caminharão pela interminável estrada do tempo. E verão de longe o farol que lhes indica o roteiro. E uns aos outros o indicarão, dizendo: "Coragem!" Áspera é a dor e longa a estrada da evolução, mas temos um condutor. Do Alto, o Cristo nos olha e nos fala. Não estamos sozinhos. Ele está connosco. A Seus pés, como pedestal, está a pirâmide do conhecimento, feita de pensamento, que é a Sua Luz.

À fase mais elementar da fé sucedeu a fase mais avançada do conhecimento, com que se completa o Amor. E, com o conhecimento, Cristo retorna à Terra para realizar o Seu Reino, há vinte séculos fundado.

O ritmo das Mensagens teve início no Natal de 1931, continuou no de 1932 e terminou na Páscoa de 1933 ( no XIX centenário da morte de Cristo ), só reaparecendo depois em ritmo decenal.

A primeira mensagem apareceu no final de 1931, como o Corpo de Cristo foi sepultado na tarde da Sexta-feira Santa. As Mensagens continuaram a aparecer em 1932, como o Corpo de Cristo continuou a jazer no sepulcro no Sábado Santo. Terminaram com a última Mensagem, na Páscoa de 1933, centenário de Sua morte, como seu Corpo ressuscitou na alvorada do 3.º dia. Retornaram depois em um ritmo de dez anos e agora completam vinte anos, equivalentes aos vinte séculos transcorridos desde então.

Indico-vos estas harmonias, para fazer-vos compreender sua significação. Meu instrumento - Pietro Ubaldi - as ignorava e não as poderia ter projectado, pois o Alto não lhas havia dado a conhecer. O que é harmónico desce do Alto, o que é dissonância provém de baixo.

Esta Mensagem de hoje corresponde ao fim do II Milénio e vos lança nos braços do terceiro, da nova civilização. Isso corresponde ao terceiro dia, na aurora do qual se deu a Ressurreição.

Que esta imprevisível concordância de ritmos, que esta musicalidade também na forma de génese da Obra, constituam para vós uma prova de verdade.

Esta Mensagem vos lança aos braços do III Milénio: por isso é ela a Mensagem da Nova Era. O mundo materialista está freneticamente lutando pela sua autodestruição. O dragão será morto pelo seu próprio veneno.

A vida, que jamais morre, está a preparar-se para substituir o mundo velho pelo novo: o reino do espírito, em cuja realização Cristo triunfará. A humanidade tem esperado dois mil anos pela Boa Nova, mas finalmente chegou a hora de sua realização. A vida se utilizará das tempestades que as forças do mal se preparam para desencadear, a fim de purificar-se. Aproveitar-se-á da destruição para reconstruir em nível mais alto.

Repito, assim, a palavra da primeira Mensagem do Natal de 1931: " A destruição é necessária (...). Um grande baptismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio, livremente violado: grande mal, condição de um bem maior. Depois disso, a humanidade, purificada, mais leve, mais seleccionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio; e retomará, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará: o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro (...) ".

Encontrais, assim, as mesmas palavras, no princípio como no fim. Hoje, porém, estais vinte anos mais avançados no tempo, isto é, na maturidade dos acontecimentos. Hoje vos encontrais na plenitude dos tempos. Aquela ideia, desenvolvida através das trilogias da Obra, se encaminha para tornar-se realidade.

A luciferiana revolta do ateísmo materialista está para desfechar contra Deus sua última batalha desesperada pelo triunfo absoluto, supremo esforço que redundará em sua ruína total. E Deus fará ver à humanidade aterrorizada, para o bem dos homens, que Ele somente é o senhor absoluto.

Estais ainda imersos em cerradas neblinas. Mas, além delas, já brilha o Sol, que está para despontar e inundar o mundo de luz e calor. A outra margem do novo Reino está próxima e a humanidade se prepara para nela desembarcar.

O novo continente já aparece aos olhos do navegante experimentado e a humanidade, após a grande viagem de dois milénios, pode gritar - " terra, terra ! "

Por isso, esta se pôde chamar a Mensagem da Nova Era, porque não mais vem anunciar a Boa Nova, mas a sua realização.

Como tudo, até aqui, se cumpriu em ritmo inexorável, igualmente tudo continuará a cumprir-se. Com esta segunda Mensagem decenal é coberto o período do II Milénio, encerrou-se o ritmo preparatório do terceiro dia da Ressurreição, quanto do III Milénio.

Agora, que vos conduzi até aqui, às portas do novo milénio, com esta Mensagem o ciclo das Mensagens está concluído. Esse ciclo precedeu e acompanhou a Obra ( a primeira parte da vasta Obra de Pietro Ubaldi ), que agora continua no hemisfério oposto àquele em que se iniciou ( Itália ), desenvolvendo-se nas praias das novas terras onde nascerão as novas grandes civilizações do futuro - o Brasil - ( 1 ) .

A pirâmide aí está. Sua última pedra já foi colocada. Enquanto o mundo caminha, sempre mais, para o cumprimento, já agora fatal, do seu desejado destino, sobre aquela pedra pousarão os pés e se elevará a figura de Cristo que, flamejante, iluminará qual farol a estrada dos viandantes em busca de luz, para orientá-los através do longo caminho das ascensões humanas.

Tende fé, tende certeza. A Nova Era vos aguarda. Na imensa luta, Cristo é o mais forte e Ele estará convosco e com todos aqueles que Nele crêem.

Sua Voz.

( 1 ) - Razão teve, pois, João Paulo II, o actual Papa da Igreja de Roma, para afirmar o que afirmou em Setembro de 1991, no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, aquando de sua despedida daquele Solo Querido:

- " ( ... ) O Brasil vai dar muito ao mundo ... no próximo século ! "

Pena, querido Irmão, que não tivesse dito porque dará muito ao mundo. Afinal ... vocês conhecem a Verdade ! Lamentamos que a não pratiquem e, pior que isso, que a não ensinem a quem vos segue. Se o tivessem feito ao longo de vossa história ... esta humanidade estaria, sem erro, mais santificada e, a PAZ, essa ... já existiria nos Corações de todos os Homens, e não seria, portanto, necessária a purga que se aproxima.

Que a Luz do Cristo redivivo, precedendo mérito, a todos ilumine !

Vosso Irmão espiritual,

Álvaro de Jesus