Mensagem de Sara
"
Haviam transcorrido muitos dias depois dos factos referidos e nada havia eu tornado a saber de Jesus, quando tive de ir ao templo devido às festas de Páscoa, que ali se realizavam. No átrio encontrei-me com algumas moças, entre as quais estava Maria, a irmã: vinham desfiguradas e correndo. Eu perguntei a esta:- Maria, me dás notícias de Jesus ?
- Vem, me respondeu, se ainda queres vê-lo.
Corri, e todas partimos juntas. Aonde me levas ? Perguntei.
- Vem, se queres, me respondeu novamente Maria.
A meio do caminho encontrámo-nos com a bela Maria, conhecida pela Madalena, que chorando desesperadamente nos acompanhou, e chegámos assim correndo à porta do governador de então de Jerusalém, o qual se chamava Pilatos.
Havia um gentio tão numeroso diante dessa porta do palácio, que era impossível passar, e uns vociferavam, outros batiam ferros ruidosamente, outros gritavam com voz rouquenha, enfim, jamais tinha eu ouvido uma barafunda tão grande.
À força de irmos empurrando, chegamos ao pátio e pude ver.
- Meu Deus !
Quem me houvera dito que tornaria a vê-lo, ao meu Jesus, em semelhante estado ?
Estava quase despido, com todo o corpo ensanguentado, com o cabelo e a barba em parte arrancados, com os olhos inundados de lágrimas, porém com o semblante tranquilo; nós, as mulheres, não pudemos resistir a tal espectáculo: Madalena desmaiou, Maria chorava, e eu, eu nada via já.
Saímos de entre a turba e para nos vermos livres mais depressa dela, atravessamos o pórtico do palácio; um homem chamado Saimod estava sentado nos degraus do pórtico; tinha a cabeça apoiada entre as mãos e grandes gotas de suor lhe corriam pela fronte e caíam no solo.
Eu amava muito Saimod e, por isso, aproximei-me dele. Ouvi que falava sozinho e parei para escutá-lo:
" O corpo sofre, o espírito ora, o filósofo luta; eis aí Jesus. "
Saimod, disse-lhe, a quem falas assim ?
Apercebeu-se então de minha presença, e disse-me:
- Que fazes aqui, Jones ?
- Vim para ver Jesus, respondi- lhe, mas, por que sucedeu isto ?
- Vem, prosseguiu ele, agora Jesus descansa, porque os seus verdugos estão cansados; vem e te contarei o que tem sucedido, porém lembra-te, ó Jones, que grandes coisas estão por suceder, lembra-te que acontecimentos que não tornarás a ver se apresentarão hoje. Vês o sol que resplandece ? Daqui a poucas horas escurecerá; vês a terra imóvel ? Daqui a poucas horas agitar-se-á.
- Quem te disse isso ? Perguntei-lhe.
- Os astros e o vento.
Saimod era um homem original e incompreensível, que sempre falava de um modo enigmático; por isso nada mais lhe perguntei, restringindo-me a saber se devia permanecer com ele.
- Fica, respondeu-me, até amanhã.
Entretanto voltou a sentar-se no degrau da escada e eu a seu lado, e não falou nada mais.
Pus-me a olhar o que se passava ao derredor de mim. As mulheres que me acompanhavam todas tinham saído; Madalena, tendo recuperado os sentidos, entrou novamente, e se havia atirado ao solo, com os cabelos empapando-se no sangue de Jesus, chorava, chorava. Jesus encontrava-se sentado ao pé de uma coluna, imóvel como um cadáver, com o olhar fixo no solo, apercebendo-se a gente de que estava vivo por um tremor que por momentos lhe percorria todo o corpo; uma infinidade de soldados dava voltas pelo pátio dirigindo palavras ignominiosos a Madalena, enquanto se riam parvoamente entre eles.
OH ! Quão negras eram suas almas ! Como eram maus todos eles ! O pobre Jesus não os maldizia, pelo contrário, calava-se.
Amigos meus, semelhantes recordações não sabeis vós quanto me fazem sofrer; permiti-me, pois, que eu vá retemperar as minhas forças nos espaços superiores.
Voltarei outra vez.
Sara
===///===
Mensagem de Sebastião Caramuru
( Referida à Obra: Vida de Jesus ditada por Ele mesmo )
" Leitor amigo; se a tua alma abriga o desejo de ser útil aos teus companheiros da terra, auxiliando-os para o seu progresso, amparando-os em seus sofrimentos e encaminhando-os para a espiritualidade, introduz em cada lar onde tenhais uma amizade, uma destas mensagens do divino enviado para que todos recebam os altos benefícios da nova peregrinação do Mestre excelso pelo planeta terráqueo. Somente assim, semeando nas almas a doutrina de Jesus, pura como aqui se encontra, teremos amanhã uma sociedade mais espiritualizada e por conseguinte, melhor. "
" Aos novos apóstolos do amor concitamos tomar a peito, levarem a palavra de Jesus a todas as partes, disseminando a religião por ele pregada, com as suas belezas, a sua ciência profunda e a sua espiritualidade segura. "
" Se quiser saber de religião, duma religião que não é imposta porque não tem dogmas, que não anda atrás de predomínio porque não tem um corpo luzidio de sacerdotes e que não persegue ninguém porque o " seu reino não é deste mundo ", aqui está o seu código escrito pelo sábio legislador. Tome-o, estude-o com carinho e que sua alma se encha de luz e compreenda, afinal, Deus manifestando-se ao homem por intermédio do seu Messias. "
" Aos homens, o Mestre vem relembrar as coisas que por ele já foram ditas e acrescentar uma porção de novos ensinamentos que não puderam ser dados aos pagãos, nem aos hebreus, mas que agora a nossa inteligência, um pouco mais esclarecida, já pode suportar. "
" As palavras de Jesus são como que um avivamento de nossas ideias para que a sua doutrina retome o fulgor dos áureos tempos apostólicos, quer dizer, pura e simples, como era naqueles dias memoráveis em que não havia uma corporação sacerdotal enfatuada de teologia, mas que os predicadores - homens do povo - tinham convicções e o Espírito descia sobre eles para que bem cumprissem suas missões. "
" Agora não há mais mistérios sobre a vida do Mestre, já se sabe como decorreram os dias de sua mocidade e como e onde foram feitos seus estudos sob a protecção de José de Arimateia, esse grande amigo do carpinteiro José e de seu filho, o carpinteiro Jesus. "
" Foi Arimateia quem abriu a Jesus as portas da Cabala, onde se estudava a ciência dos espíritos e se praticava o espiritismo antigo. Logo, Jesus de Nazaré era espírita, ninguém pode fugir à lógica dos factos e da Verdade. "
" E como José de Arimateia explica em síntese um mundo de conhecimentos numa página admirável, como aponta a lei que o Mestre tinha que respeitar para se manter em constante comunicação com os espíritos. "
" Vede bem, leitor, que é o próprio Jesus quem agora vem recordar as palavras de seu amigo e esta recordação é como que a bússola que nos há-de servir para as nossas relações de todos os dias com os habitantes do mundo invisível. "
" Jesus homem, preparava-se assim para receber as comunicações dos espíritos de Deus. Para que se possa compreender a lei que rege as comunicações dos espíritos, torna-se necessário salientar que em Jesus se confirmava, que o veículo da vontade de Deus é o Homem. "
" É preciso repetir bem que estes nunca deixam de ser homens, no pleno exercício de suas faculdades, porque foram assim iluminados. "
" Se Deus ou o Espírito Santo é quem inspira as revelações, estas são divinas, mas o seu órgão é sempre o Homem, com as suas limitações, sendo por isso essencial que, nessa inspiração, assim recebida e revelada, se reconheça sempre o elemento humano. "
" E ainda devemos acrescentar aqui: os homens médiuns que recebem as ordens de Deus para serem transmitidas aos homens, seus irmãos, todos eles já viveram na terra e o próprio Jesus nos diz: " o Messias já tinha vivido como homem sobre a terra e o homem novo tinha cedido seu lugar ao homem compenetrado das grandezas celestes, quando o espírito se viu honrado pelos olhares de Deus para ser mandado como enviado e mediador. O Messias tinha vivido sobre a Terra porque os Messias jamais vão como mediadores a um mundo que não tenham habitado anteriormente. "
" Logo, além de homem, é necessário que o espírito traga a experiência das vidas anteriores para ser distinguido com o mandato divino. "
" À meditação dos crentes, ao raciocínio dos sábios, à investigação dos filósofos, ao estudo do povo deste grande país que muito ama a Jesus, oferecemos este repertório de verdades, único no mundo. "
Sebastião Caramuru
===///===
CRISTO CHORA
Porque sou vosso Irmão, por essa Verdade Crística que a todos informa e esclarece do porquê de sermos Filhos de DEUS, aqui vos deixo a minha inequívoca saudação fraternal, qualquer que seja o vosso estádio evolutivo.
Poderia começar este escrito, desde logo, por identificar as razões que me levaram a abandonar a religião que foi meu berço e que segui durante três dezenas de anos. Poder-vos-ia, depois, dizer dos estudos que nela fiz em ordem a encontrar o CRISTO concreto, bem como também das razões que me levaram a andar por onde andei até encontrar essa Verdade Crística.
Podia ! Mas, porque cada um é o que é e vale o que vale, não o farei. Respeito-vos, respeitando-me. Honro-vos, honrando-me.
Irei, tão somente, narrar-vos o que li num livro de Amor e Luz, deixando para vós a responsabilidade, de encontrardes essas minhas razões. Sim, tudo tem uma razão causal para ser como é e acontecer como acontece, já que isso que conhecemos por acaso, simplesmente não existe. Sim ! Tudo tem uma causa, mesmo que se desconheça qual seja !
‘ A Vida Escreve ‘, é o título desse livro de Amor e Luz, recebido por esses dois ilustres médiuns ( Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira ) desse País Irmão que é o Brasil.
De entre seus 28 capítulos, narrar-vos-ei, mais em jeito de comentário que citação, seu capítulo 27, com o título " Visão de Eurípedes ".
Eurípedes Barsanulfo, fora, nesse tempo, o apóstolo da mediunidade, vivendo em Sacramento, Estado de Minas Gerais, Brasil. Uma noite, conscientemente e sem poder alterar o rumo dos acontecimentos, viu-se desdobrado, isto é, fora de seu corpo carnal, sendo arrastado para cima num torvelinho de Amor, subindo, subindo ... subindo sempre.
Desejou parar, voltar ao seu corpo carnal, mas, braços intangíveis, como que lhe tutelavam a sublime excursão.
Respirava num outro ambiente. Sentiu-se a envergar forma leve, respirava num oceano de ar mais leve ainda. Viajou, viajou, como se fosse pássaro teleguiado, até que se viu parar em campina verdejante.
Reparava na formosa paisagem quando avistou, não muito longe, um Homem meditando envolto em doce Luz. Como se fosse magnetizado por tal desconhecido, dele se aproximou.
Porém, de repente, parou ! Algo no seu íntimo lhe dizia para que não avançasse mais, e, num deslumbramento de júbilo, reconheceu-se na presença do Cristo.
Baixou sua cabeça, esmagado pela honra imprevista do sublime encontro, ficando em silêncio, sentindo-se como se fosse intruso, incapaz de voltar ou ir adiante.
Recordou nesses breves instantes todas as lições do Cristianismo, os Templos do Mundo, as homenagens prestadas ao Senhor na literatura e nas artes, a mensagem d’ Ele a ecoar entre os homens de boa vontade no curso de vinte séculos e, ofuscado pela grandeza do momento, começou a chorar.
Grossas lágrimas lhe iam banhando o rosto até que, adquirindo coragem, ergueu os olhos humildes, vendo que Jesus chorava também.
Traspassado pelo sofrimento ao ver-lhe o pranto, desejou fazer algo que confortasse o Sublime Amigo, mas estava como que pregado ao solo estranho.
Recordou também, nesse breve momento, todos os tormentos do Cristo, a se perpectuarem ainda nas criaturas humanas que se afirmam, hipocritamente, crentes, ainda e sempre atirando-lhe com suas incompreensões e sarcasmos.
Nesta linha de pensamento, não se conteve. Abriu sua boca e perguntou, com voz suplicante:
- " Senhor ! Porque choras " ?
Jesus, não respondeu.
Desejando certificar-se de que fora ouvido, reiterou:
- " Choras pelos descrentes do Mundo " ?
Enlevado, o missionário de Sacramento notou que o Cristo lhe correspondia agora ao olhar. E, após um instante de atenção, respondeu-lhe em voz dulcíssima:
- " Não, meu filho, não sofro pelos descrentes aos quais devemos amor. Choro por todos os que conhecem o Evangelho, mas não o sabem praticar ".
Eurípedes, como se caísse em profunda sombra, ante a dor que a resposta lhe trouxera, desceu, desceu, acordando no seu corpo físico. Era madrugada ! Levantou-se e iniciou sem descanso, desde aí, sua total doação à causa dos necessitados e doentes, até à sua morte.
Caríssimos Irmãos:
Em face a este verídico sofrimento, se o próprio Cristo nos inquirisse, hoje, sobre a forma como vivemos os Seus Divinos ensinamentos, bem como sobre a forma como cumprimos, hoje, o Seu Evangelho, que respostas honestas Lhe daríamos ?
Que cada um de vós se responsabilize por merecer o Amor Total que o Cristo de DEUS nos soube ofertar em Sua Paixão e Morte. Que Ele, queridos Irmãos, não tenha vindo em vão para nenhum de vós !
Cristo veio e falou do Amor e do Perdão como sendo a própria LEI !
Cristo veio e falou da necessidade de se renascer de novo ( Vidas sucessivas ) !
Cristo veio e falou da Lei de Causa e Efeito !
Cristo veio e anunciou um Reino com Muitas Moradas !
Cristo veio e falou da Ressurreição do Espírito !
Cristo veio e falou da Alma, do Espírito, disso que, afinal, somos !
Cristo veio e falou de que não vinha derrubar a LEI, mas sim confirmá-La !
Cristo veio e falou do " EU SOU " !
Cristo veio e disse: " EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida "!
Cristo veio e disse: " EU SOU a Ressurreição e a Vida "!
Cristo veio e deixou aqui uma única Doutrina !
Cristo veio e deixou aqui uma única Verdade !
Cristo veio e deixou aqui uma única LEI !
Cristo veio mas, quanto a cultura espiritual, tudo continua quase na mesma. Porquê ?
Porquê tanta morte, tanto ódio, tanta ignorância entre os que Ele tanto AMOU e AMA ?
E, de tudo isso que Ele falou, o que é que se sabe ? Porque razão não se sabe disso ?
Porque continuamos a ser surdos às Suas Verdades Eternas, se Elas são a nossa Salvação ?
Porque, perante o nosso próximo, nos esquecemos facilmente de que somos FILHOS DE DEUS, seus Irmãos em Cristo ?
Porque não nos assumimos, finalmente, como tais FILHOS e tais Irmãos ?
Porque não utilizamos a nossa inteligência no sentido do positivo ?
Queremos que Ele, mais uma vez " Escreva direito por linhas tortas " ? Ser-nos-á isso necessário ?
Porque não somos evangelizados em conformidade com a Santa Palavra do Cristo, com a Sua Verdade que salva, mas sim ao sabor de interesses menores que apenas cegueira nos oferecem ? Porque somos, também, cegos, e não mudamos de Caminho ?
Sabeis porque razão se Encarna com saúde ou com deficiências ?
Porquê a Lei de Causa e Efeito ?
Se fosse hoje, estaríamos nós preparados para nos apresentarmos no Divino Tribunal ?
Conheceis a obra Literária de ALLAN KARDEC, o Missionário do Cristo no Século XIX ?
Se for de vossa vontade cultivardes vossa evolução, pelo ESTUDO, vo-la recomendamos, vivamente.
Na Paz e tendo sempre por base o Amor do Cristo, aqui vos deixo o meu Abraço Fraterno.
===///===
VIVENDO NO AMOR FRATERNO
Alma Irmã que na Terra te situas de novo em busca de evolução espiritual, leva com resignação tua cruz, qualquer que ela te seja, pois tua dor é remédio que cura as feridas de teu passado, traduzidas no mal que contra Deus e teus irmãos praticaste.
Agradece ao Pai Celeste, nosso Deus e Criador, por te ter autorizado mais esta oportunidade de aqui vires para que possas aprender e ascender na grande escada da Vida.
Estuda e trabalha sem nunca esqueceres que outros, como tu, aqui também se encontram em busca de perfeição que lhes possibilite o regresso à casa do Pai, já que tudo d' Ele veio e para Ele tende e evolui.
AMA-OS a todos sem excepção, qualquer que seja a sua cor, a sua política, a sua tendência religiosa, a sua roupa, pois todos são, como tu, filhos muito amados do Pai.
Nunca te esqueças, Alma Querida, de que o Pai te criou espiritualmente à Sua Imagem e Semelhança, para que O ajudes na Criação que não findou, nem findará. Jamais esqueças de que nunca estás a sós em momento algum de tua vida.
Concentra-te, medita e fala com o teu Criador orando-Lhe, pois tua Fé e Oração te trarão a Luz e a Vida. Pede-Lhe, porém, sempre em nome de Cristo, pois é Ele o teu Caminho, a tua Verdade e a tua Vida.
Nunca desprezes o saber alheio e tenta receber dele o que te possa ensinar, pois todos têm a sua história e missão ao serviço de Deus, mesmo que isto ainda não compreendas, ou não seja líquido para ti. Pelo facto de isso desconheceres, não significa que assim não seja. Nunca esqueças que somente pelo estudo se aprende e se sabe.
Cumpre fiel e rigorosamente o Santo Mandamento de Amor ao próximo que o Senhor Jesus, o Cristo de Deus, aqui te deixou. Tal Mandamento, se o souberes conjugar no Amor Fraterno, te transportará à eternidade, pois: " Só pelo Amor será salvo o Homem " – disse Jesus, e: " Fora da Caridade não há Salvação " - Allan Kardec, ou: " A Fé sem Obras ... é morta" - Apóstolo Thiago.
Respeita toda a Natureza que Deus te empresta ( nada dela te pertence ) para que possas realizar-te e subir até Ele. Tudo é Sua criação, nunca isso esqueças.
Nunca destruas a Vida, mesmo que ela se te manifeste através do mais pequeno dos Seres. Não mates o que Deus autorizou viver. Sê digno de tudo quanto Ele te oferece.
Alimenta-te sem ofenderes a vida dos animais - teus Irmãos menores - que ao teu redor se posicionam, pois também eles se encontram vinculados à Lei de Evolução. Respeita-os e ama-os também, para que possas ser amado pelos que te são espiritualmente superiores. A verdadeira hierarquia encontra-la apenas nas Esferas Espirituais.
Lembra-te de que já venceste essa fase evolutiva e que és agora Espírito Humano, nessa marcha dinâmica que jamais cessará seu movimento ascensional para Deus. Crê nisto.
Faz sempre ao outro o que dele desejes receber e cumprirás o preceito fundamental da Lei Eterna de Deus, de Sua Ciência Exacta, não revogável, porque Perfeita. Tenta viver dentro do Direito terreno, mas eleva-o ao que é Divino, e essa será a tua grande vitória.
Luta pela tua felicidade, mas que ela nunca seja conseguida à custa da do teu Irmão que deves amar, pois teu livre-arbítrio tem seus próprios e naturais limites.
Defende, promove e vive em Paz, para que a possas ter e receber dos outros.
Sê Humano e segue o que a tua Consciência te recomende, pois ela é o meio que te conduzirá à porta do Reino de Deus, anunciado por Seu Cristo.
Nunca esqueças a Lei de Causa e Efeito, porque ela te cobrará no Tribunal Divino os efeitos de teus desvios à Lei de Deus, e no qual Tribunal serás, simultaneamente, Juiz e Réu.
Que o CRISTO, Alma Irmã, não tenha vindo em vão. Neste tempo como em todos os Tempos, Ama-O e ama o teu próximo como Ele te ordenou, porque só assim terás o que desejas em Seu Reino.
No Seu Amor e na Sua Paz te saúdo.
===///===
C R E D O E S P Í R I T A
Tudo se move e exalta e se esforça e gravita:
Tudo se evola e eleva e vive e ressuscita.
Nada pode ficar na surda obscuridade.
Da alma exilada a senda é toda a eternidade
E se aconchega ao céu, que a todos nos reclama
Aos dóceis se lhes atenua a dolorosa flama
Da dura provação: A sombra faz-se aurora
Homem e besta em anjo se aprimora;
E pela expiação, escada de equidade,
De quem uma parte é treva e outra claridade,
Sem cessar, sob o azul do céu calmo e formoso
Sob o universo dor ao universo gozo.
Victor Hugo
CREIO que não temos nossa causa em nós mesmos, que existe acima do homem e superior à Natureza um Ser pensante, infinito, eterno, imutável, um supremo legislador; que a existência de um criador, de uma Razão primitiva, é um facto adquirido pela evidência material dos factos; que a vida não é uma confusão sem fim, um caos informe; que tudo tem sua razão de ser, seu alvo, seu fim.
CREIO que nada é palavra vã; que a morte não existe, que nada morre; que o ser sobrevive ao seu invólucro, isto é, ao seu corpo físico; que a morte não é um termo, mas uma metamorfose, uma transformação necessária, um renovamento; que somos eternos pela base do nosso ser; que nada do que existe pode ser aniquilado; que existimos porque existimos.
CREIO que não há o aniquilamento, mas sempre estados sucedendo a outros estados, a eterna transmissão de uma ordem de coisas a outra, de uma economia a outra, de um serviço a outro; que tudo renasce; que tudo volta à sua hora, melhorado, aperfeiçoado pelo labor; que o nascimento não é um verdadeiro começo; que nascer não é o princípio mas mudar de figura; que nossas existências não são mais do que continuações, séries, consequências; que sono ou despertar, morte ou nascimento, são uma e mesma coisa, transição semelhante, acidente e previsto.
CREIO que tudo evolui e tende para um estado superior; que tudo se transforma e aperfeiçoa; que o homem marcha sempre e sempre se engrandece; que tudo rola, se prolonga e renova; que a morte é o único teatro das nossas lutas e de nossos progressos a realizar; que o Universo é sem lacuna; que há mundos infinitos nesse mundo infinito; que um mundo é um ponto que nos conduz a outro e que os há para todos os graus de crescimento ( Estádios de nossa evolução ).
CREIO que, saindo desta vida, não estamos em um estado definitivo; que nada se acaba neste mundo; que enquanto um destino humano tem alguma coisa a cumprir, isto é, um progresso a realizar, nada está para ele acabado; que a morte não deve ser tomada senão como um descanso em nossa viagem; que a morte é feixe de caminhos, que irradiam em todas as direcções do Universo e nos quais efectuamos nosso destino; que a morte não nos retira do Universo, apenas nos faz sair de uma dimensão e entrar em uma outra.
CREIO que Deus não criou almas selvagens e almas civilizadas; que a alma humana é o resultado da vida; que todos os homens são cidadãos da mesma pátria, membros da mesma família, ramos da mesma árvore; que todos têm origem, destino e aspiração comuns; que todos começaram a ascensão e que estão somente mais ou menos alto, neste ou naquele degrau da escada da vida conforme seu próprio mérito; que não há, na ordem absoluta, nem arbitrário nem abandono; que a alva, esse alvor que se faz no meio da noite, far-se-á na escuridão; que os mais vis têm por lei alcançar os mais elevados, porque tudo tende para a Perfeição.
CREIO que o homem não é o último anel de cadeia que une a criatura ao Criador; que temos ao menos tantos degraus sobre a fronte como abaixo dos pés; que a vida está em toda a parte e para todos, para o animal como para a planta, como para o mineral; que tudo segue a mesma rotação; que tudo morre da mesma maneira e morre utilmente; que a vida sorve todos os elementos da própria morte; que cresce por série contínua de transformações infinitas, que parte do infinitamente pequeno e marcha para o infinitamente grande.
CREIO que tudo o que vive é encarnação; que toda a evolução, toda a transformação é encarnação; que as criaturas sobem no crescimento da alma como no invólucro; que o homem é um espírito encarnado; que a alma não é criada ao mesmo tempo que o corpo, que ela é apenas incorporada; que a encarnação é uma lei da Natureza, uma necessidade absoluta, consequência lógica da lei do progresso; que todo o homem é um resumo de existências anteriores, que se compõe de numerosos personagens formando um só.
CREIO na pluralidade dos mundos, na multiplicidade das existências, na universal ascensão dos seres, na progressão contínua da alma com os seus transportes, seus recuos, suas crises e sanções que daí decorrem.
CREIO que neste Universo, obra da infinita sabedoria, nada acontece pelo jogo do acaso (o acaso não existe); que nada se faz sem uma soberana justiça; que toda a desordem não existe senão em aparência; que não há acaso nem fatalidade; que há forças, leis que ninguém pode derrogar; que todas as coisas do mundo têm ligação entre si; que nada é isolado; que o mundo material é solidário do mundo espiritual e que ambos se penetram reciprocamente; que tudo se mantém, tudo concorda, tudo se encadeia e se liga, sob o ponto de vista moral como físico, que na ordem dos factos, do mais simples ao complexo, tudo é regulado por uma lei.
CREIO que a lei moral é uma verdade absoluta; que a justiça, a sabedoria, a virtude existem na marcha do mundo tanto quanto a realidade física; que não se pode transpor sem trabalho e sem mérito um grau de iniciação humana; que o espírito deve chegar, só por si, à verdade, que tem de tornar-se merecedor de sua felicidade; que a felicidade, para ter tido o seu preço, deve ser adquirida e não concedida.
CREIO que a vida não é um jogo, uma ilusão; que a verdadeira vida não é a que multiplica os gozos; que a felicidade tal qual a entendemos não pode existir; que é preciso que o esforço subsista neste mundo; trabalhar e combater; que a luta é necessária ao desenvolvimento do espírito; que o verdadeiro fim da vida consiste no dever que incumbe a todo o ser humano de subjugar a matéria ao espírito; que quanto tal suceder, será Santo o homem, porque compreendeu, finalmente, o sentido último da Vida.
CREIO que o homem é justificado, não por sua fé, mas por suas obras; que a prática do bem é a lei superior, a condição sine qua non de nosso futuro; que a santidade é o alvo a que devemos chegar; que não se pode fazer tudo impunemente; a felicidade e a desgraça dos homens dependem, absolutamente, da conservação ou da violação da lei universal que rege a ordem da Natureza.
CREIO que existem um inferno e um paraíso filosóficos, isto é, um sistema natural que liga entre si intimamente os efeitos às causas aquém e além do tempo; que sempre nos sucedemos a nós mesmos; que sempre determinamos por nossa marcha a que seguiremos mais tarde.
CREIO que o presente determina o futuro; que cada homem tece em volta de si o seu destino; que se torna sem cessar o que merece ser; que nenhum desvio do caminho recto fica impune; que todos os que dele se afastam serão a ele elevados fatalmente; que o progresso é uma lei soberana à qual ninguém resiste ou foge; que não há um defeito, uma imperfeição moral, uma acção má que não tenha a sua contradita e as suas consequências naturais; que não há acto útil que fique sem proveito, falta sem sanção ( Lei de Causa e Efeito ); que não há acção que se possa sonegar.
CREIO que cada um deve a si mesmo a sua sorte; que cada um cria as suas alegrias como as suas penas; que o homem é o seu próprio algoz; que é juiz do tribunal no qual se sentará como réu; remunera-se e pune-se a si mesmo; que colhe o que semeia e nutre-se do que colhe, debilitado ou fortificado pelos alimentos que ele próprio produziu; que a alma transporta em si mesma o seu próprio castigo, em todo o lugar em que se possa encontrar; que o inferno não é um lugar mas uma condição de ser, um estado de alma; e que pertence a cada um de nós sair dele ou aí se manter, em face a seu livre-arbítrio.
CREIO que a pena não está senão na falta; que é impossível que essas duas coisas se possam separar; que o sofrimento não é o resultado do acaso, que toda a lágrima lava alguma coisa; que a dor e culpabilidade são sinónimos; que o homem em evolução é tributário dos seus erros e de seus pensamentos; que somos nós os instrumentos do nosso suplício ( juizes e réus ).
CREIO que toda a vida culposa deve ser resgatada; que toda a falta cometida, todo o mal causado, é uma dívida contraída que deve ser paga, quer num momento quer noutro, quer numa existência quer noutra; que a fatalidade aparente, que semeia de males o caminho da vida, não é senão a consequência do nosso passado, o efeito produzido pela causa; que a vida terrestre é ao mesmo tempo reparação e preparação; que nenhum de nós é o que deve ser e que é preciso que a razão cumpra, que a justiça se faça e o bem seja feito.
CREIO que cada nova existência é um novo ponto de partida em que o homem é aquilo que ele se fez; que ele renasce com o seu deve e o seu haver; que nada perde do que adquiriu; que o esquecimento temporário do passado é condição indispensável de toda a provação, de todo o progresso, e de que o esforço seja livre e voluntário; que o conhecimento dos factos anteriores e das sanções inevitáveis embaraçaria o homem em lugar de ajudá-lo; que é justo e necessário que em seu estado actual o passado e o futuro lhe sejam ocultados.
CREIO, enfim, que a revelação é progressiva, que a verdade se desvenda sempre segundo os tempos e os lugares; que estamos na aurora da vida consciente e que marchamos, todos, na solidariedade universal, através das nossas vidas sucessivas, para a infinita perfeição; que o futuro encerra em suas profundezas a felicidade, que debalde procuramos em volta de nós; que tudo foi criado tendo em vista um bem final; que o bem é a lei do Universo e o mal um estado transitório sempre reparável, uma das fases inferiores da evolução dos seres para o bem; que nada de irremediável pesa sobre nós; que tudo se apaga, tudo se dissolve; que a dor é libertadora; que nada é negro, nada é triste; que tudo acaba bem e que não se tem senão de esperar a sua hora em um mundo ou em outro.
===///===
Comunicação do Apóstolo MATEUS
A dupla consciência, a recordação do passado e os colpinos
A comunicação que eu dei, poucos dias faz, para ser incluída nesta transcendental obra, dada com a sinceridade que me é característica, resultou um tanto dura para o elevado critério do Messias, por sua índole de severa justiça.
Disse-me o Mestre:
- " Reconheço o mérito e a veracidade de teu trabalho; mas minha obra não é julgar, senão para semear o amor entre os homens." - Guarda-a, pois, em estrita reserva, para os que tenham que levar a cabo o restabelecimento da justiça, no que dela tinha ficado velado pela acção do tempo e da malícia humana; e traz para a obra somente a elucidação dos pontos de que te encarreguei, porquanto a tua comunicação, como as dos outros Apóstolos e a de Maria, constituem capítulos da mesma, como que desenvolvendo-se dentro da ordem e estrita continuidade dela. "
- " Graças devo dar a Deus; continua o Mestre, pela estrita verdade conseguida em tudo isto com o médium que me serve de instrumento, pois no livro inteiro não passou uma única palavra que não seja minha, de Maria ou dos Apóstolos, que nele colaboraram. "
Louvado seja o Senhor que assim consentiu que minha volta entre os homens, desta forma, resultasse tão real e verídica, como se eu mesmo ressuscitado em corpo, vos tivesse falado com meus próprios lábios.
Confirmadas com o que fica dito, as palavras de Jesus, passarei a ocupar-me do tema que encabeça estas linhas, repetindo somente, com respeito à minha outra comunicação, que deve levantar-se a Judas o cruel julgamento que sobre sua memória pesa, porque sua traição foi unicamente o efeito de sua fraqueza diante das sugestões malignas que continuamente o trabalharam, sob o esforço de interesses inconfessáveis.
Ninguém ignora que há em nós uma dupla consciência, efeito de nosso atraso, a consciência do espírito livre e a do encarnado; ainda devemos admitir uma consciência intermédia, a consciência do espírito do encarnado quando se desdobra, parecendo que, quando dormis ou simplesmente estais distraídos, vossos espíritos se encontram muito longe do corpo, actuando conscientemente fora dele.
É claro que não pode existir a recordação da sua actuação, desde o momento que o cérebro não recebeu impressão alguma a respeito dela, sendo sabido que a memória do homem é somente cerebral.
Bem se diria afirmando que o espírito actua com uma nova personalidade em cada nova encarnação, pois que o cérebro vai recolhendo paulativamente todas as impressões que lhe chegam do exterior pelo contínuo e agitado movimento do meio que o cerca. Pelos órgãos do ouvido, da vista e do tacto, sem cessar se vê impressionada a massa encefálica, onde tudo se grava e se associa de acordo com as diversas circunvoluções que a formam, constituindo-se assim a memória, o juízo e o raciocínio.
Verdade é que tudo isto tem lugar sob o controle do espírito, porém ele, não dispondo de outros meios para a sua realização e manifestação dentro do mundo de que forma parte, deve conformar sua consciência dentro do círculo que tais meios lhe oferecem. Tudo o que o homem tem gravado no cérebro, constitui portanto as suas recordações, seus conhecimentos e os materiais para a actuação de sua consciência, que resulta, como se vê, muito diferente da verdadeira consciência do espírito.
Para nós não existe a divisão do tempo que regula entre os homens, e somente nos guiamos pela sucessão dos factos, no meio dos quais temos vivido e que de certo modo forma a parte de nossas actividades; por isso não calculamos as idades e é assim que, fazendo talvez uns trinta e tantos anos, segundo ouvi dizer entre vós, que deixei minha envoltura corporal, parece-me entretanto que ontem vivia ainda com os homens, razão, precisamente, que induziu o Mestre a encarregar-me do tema proposta, porque deveria eu elucidá-lo mais humanamente que os outros Apóstolos.
Disse já que na minha última encarnação fui Rafael Fernández, tendo-me ocupado não pouco, ainda quando universitário, de assuntos filosóficos e religiosos, em estreita relação com o cristianismo, fazendo assim justiça ao meu passado e às benéficas influências do Mestre, muito longe estava entretanto de acreditar que tal actuação constituía, de certo modo, uma recordação do que havia sido uns dois mil anos antes, e tampouco pude supor que, uma vez deixada a matéria, havia de encontrar-me aqui e que muitos sonhos e fantasias de minha vida, que eu considerei faltos de fundamento, constituíam na realidade verdadeiras recordações do passado, resultando assim ter sido mais consciente nos momentos em que me havia considerado privado de toda a consciência.
Sem dúvida, em muitas circunstâncias da vida humana assaltam-nos, sem nos apercebermos, recordações do passado, sendo que lhes falta o controle da consciência, como disse João, devido à consciência humana que pode, unicamente, desenvolver-se dentro dos elementos que lhe emprestam as impressões cerebrais.
Como se vê, a dupla consciência é um efeito natural do esquecimento do passado e é necessário que este se vá modificando, a fim de que o espírito possa trabalhar com eficácia no sentido do seu verdadeiro progresso.
Paulo descobriu que, o que ele chama desdobramento voluntário, quer dizer, a faculdade de se desdobrar quando se deseja, durante a vigília, é o que mais ajuda para a recordação do passado. Por isso, formou ele escola em tal sentido, indicando os métodos para o caso. Este bom companheiro, apesar da recordação que guarda a respeito do passado, chegou a esquecer-se do seu mandato, de tal forma que, devido aos seus estudos e ao ambiente científico que o rodeava, chegou a olhar com desprezo o próprio Mestre, a ponto de O apontar como um vagabundo, por não ter lar nem meio de vida conhecidos.
Era, dizia, um iluminado ignorante que arrastava massas mais ignorantes do que ele. Eu o digo, porque ele próprio o confessa. Verdade é, segundo afirma, que suas recordações a respeito do passado, recentemente começaram a manifestar-se e com nitidez aos trinta anos, aclarando-se e manifestando-se com muita facilidade depois, devido à sua mediunidade e à faculdade de desdobramento que conseguiu dominar quase por completo.
Três vezes, refere Paulo, em seus desdobramentos não pode voltar a seu corpo e que, se não fosse pela intervenção dos bons espíritos que o introduziram em seu organismo, com a maior facilidade teria morrido.
Os espíritos aconselham que se avise os Protectores antes de se entregar um encarnado a exercícios de desdobramento em estado de vigília.
Os espíritos protectores são os que antes se chamavam anjos guardiões, pois consagram-se especialmente na custódia dos homens e são eles que, durante o sono, ajudam os espíritos dos homens a separarem-se da sua envoltura corporal para que deixem por alguns momentos a materialidade da vida humana e gozem de certa liberdade espiritual, comunicando-se com os seres queridos que os precederam no além e de quem recebem novo alento para as lutas da vida material, assim como ensinamentos e conselhos.
Certamente que, disto não se lembra o homem ao despertar, porque o cérebro não pode guardar impressões que não vivenciou, porém sempre fica um reflexo disso, o estado de intuição ou disposição favorável para o que se há de fazer.
Não se deve crer que durante estes desprendimentos o espírito do encarnado vá actuar realmente no plano espiritual, mas sim num plano intermediário a que Paulo chama plano fantasmático ou simplesmente plano extra-corporal.
Fantasmático o chama porque é o plano dos fantasmas, esse ambiente em que conseguem tornar-se visíveis os que se costumam chamar fantasmas, que as crianças mais sensitivas que os adultos vêem, com terror, enquanto que não são mais que espíritos de pessoas vivas, os quais se tornam visíveis algumas vezes para todos, devido ao corpo fantasmático que os envolve, formado pelos fluidos vitais do corpo mediante os quais o perispírito se liga ao corpo. Os fantasmas que são visíveis também se podem fotografar, como muitas vezes se fez durante a minha última encarnação.
O espírito do encarnado, desdobrando-se, pode dar comunicações aos vivos, mediante a ajuda de seus protectores. Paulo as tem dado, umas vezes com este nome e outras, que são a maioria, com o actual nome.
Não deve confundir-se o citado plano intermediário com o que os espíritos chamam zona limite, que separa um plano do outro e cujo ambiente é algo aterrador por sua actividade combatente. Daí vêm geralmente os pesadelos, quando, mal desdobrado, o mortal, pelo mau estado de sua saúde muitas vezes, acompanham-no fluidos afins com tal plano; mas não é esta a oportunidade para tratar de tal assunto, direi antes, que muitas vezes conseguem os protectores, depois, de um bom desprendimento, que o encarnado guarde a lembrança de sua actuação durante o desdobramento e então dizeis ter tido um sonho lúcido. Nada se recorda geralmente do sono profundo, porque no sono profundo, o espírito do encarnado actua distante do corpo.
A mediunidade, assim como facilita o desdobramento, facilita a lembrança do passado, do mesmo modo que a influência dos desencarnados é muito maior nos médiuns que nos que não o são. Por outra parte, as boas influências que sempre acompanham as pessoas que sempre levam uma vida regular e de bons procedimentos, favorecem grandemente tudo o que se refere ao medianismo e aos desdobramentos, sem que por isso deixe de ser necessária a prática de tais faculdades para obter seu desenvolvimento.
A zona limite encontra-se cheia de espíritos inferiores e também de espíritos sofredores que, por suas condições momentâneas, encontram-se à altura desse meio ambiente; sofrem talvez um castigo, ou seus perseguidores, sempre de má-fé, deles se aproveitam, em virtude da malfadada lei de talião, para fazerem sofrer repetidamente suas faltas aos espíritos fracos e imprudentes. Faz-se-lhes recordar a sua dívida, apesar de já a terem pago, exigindo-lhes novo pagamento. É indubitável que os espíritos que assim sofrem purificam-se nesse ambiente e progridem.
A Lei de Deus é Lei de amor e de progresso, mal pode atribuir-se-lhe portanto a paternidade da lei de talião, lei de vingança e de retrocesso; tudo se paga indubitavelmente e, em verdade, o mal que se faz aos outros redunda sempre em sofrê-lo por fim o seu autor, não da maneira que os homens supõem, mas somente pelo bem que é boa moeda; o sofrimento é consequência do mal que se fez, mas o mal feito, unicamente com o bem se redime. Bem disse por isso o Mestre:
- " Só pelo Amor será salvo o homem. "
Na zona limite de que nos temos ocupado, emprega-se uma gíria quase falada, incompreensível para vós. Daí é que vem a palavra colpino e desta deriva-se o verbo colpinar. As enfermidades dos homens, para eles são devidas a colpinamentos. Esses espíritos parasitas que vivem entre os homens e a expensas dos mais fracos são colpinos. Indubitavelmente tudo é um dano, tudo é mal que eles fazem, porém o que é preciso notar é a hipocrisia com que procuram justificar o dano que causam.
A indicada palavra vem de culpa, quer dizer que o colpinado sofre a consequência de uma culpa; eles são pois os juizes que avaliam a culpa e a castigam sempre em benefício próprio.
Para nos defendermos destes colpinamentos, que podem realmente dar lugar a um sério mal, encontramos o seguinte:
Pode doer ao colpinado um membro ou toda a extensão de um músculo, uma artéria ou um nervo, porém procurando, encontra-se o ponto bem circunscrito, muito mais dolorido. Comprime-se fortemente com um dedo esse ponto enquanto se detém a respiração o mais que se possa, e se se repetir a operação várias vezes ao dia, com este processo quase sempre desaparece o mal. Deve-se recordar que, detendo a respiração, desenvolve-se uma grande energia magnética.
A região, mais que qualquer outra, escolhida para os colpinamentos é a cabeça, a seguir os intestinos e depois o coração. Pelos intestinos se colpina também o coração e pela cabeça se colpina todo o corpo.
Os homens que levam vida inactiva e são de carácter débil vivem sempre colpinados; porém, ninguém se livra absolutamente desses parasitas espirituais. Guardando a lembrança do passado, todas estas coisas se evitariam, ao passo que agora até difícil nos é fazer-vos compreendê-las, porque estais sempre dispostos à incredulidade a respeito do que não podeis ver, pela enorme diferença que existe entre o corporal e o extra-corporal.
Desenvolvei, pelo menos, vossas aptidões para o magnetismo curativo, com o qual não somente podeis fazer muito bem mas também chegareis ao mesmo tempo a desenvolver as vossas aptidões psíquicas, porém ao magnetizar, tende cuidado com quem o fazeis, porque se um mau magnetizador transmite um grave perigo, não é menos grave o que ameaça a um bom magnetizador quando pretende beneficiar um ser inferior. É o mesmo que com a caridade, que é preciso ver a quem e como se faz a caridade, para não sermos vítimas, como muitas vezes sucede, do bem que se fez.
Muito estranho vos parecerá o que fica dito, porque tendes a cabeça cheia de máximas e teorias que muito longe estão de ser o resultado da prática.
Eis aqui um facto: entre meus amigos conto com o espírito de uma que foi virtuosíssima irmã franciscana, muito adiantada: dizia ela:
- " Primeiro está a obrigação que a devoção. "
E, quando havia enfermos pobres para atender, dizia a suas subordinadas:
- " A missa, a confissão e a devoção, tendo enfermos para atender, são esses mesmos enfermos. "
- " A prática da caridade é a devoção por excelência. "
Devido a tal proceder quiseram tirar-lhe o hábito e dissolver a sua pequena comunidade, porém ela resistiu e, não querendo recorrer à autoridade civil, continuou com sua ideia até morrer. Pois bem, sofre agora muitíssimo pela perseguição de uma multidão de espíritos inferiores por ela favorecidos. Reclamam-lhe, exigem-lhe o que ela lhes não pode dar. Perseguem-na e oprimem-na, sem lhe deixar um momento de repouso. Diz ela:
- " Não tenho forças para afastar esta avalanche de seres inferiores, que se julgam com direito sobre mim porque pela caridade me rebaixei até ao seu próprio nível. "
- " Crêem que o bem que lhes fiz não foi por bondade mas por obrigação, obrigação que julgam subsistir ainda. "
Todos nós cercamos e ajudamos a virtuosa irmã, proporcionando-lhe momentos agradáveis, porém, ela que terá de voltar à terra, já o compreende, para desenvolver as faculdades que lhe faltam, entre outras a do são critério de como, quando, e a quem se deve fazer caridade.
E onde está a justiça divina ? Perguntar-se-á !
" Ajuda-te, que Deus te ajudará, é o rifão aplicável aqui. "
A justiça de Deus cumpre-se na eternidade. Essa boa irmã não chegou ainda a merecer a felicidade, porém alcançou já muitos títulos para isso.
Com valor e constância, todos chegaremos à meta, entretanto muito há que aprender e experimentar. Muito tino faz falta em todas as coisas, até para fazer o bem, porque este pode converter-se num mal. Levantando e favorecendo, por exemplo, um malvado com aparência de bom, podemos armar um inimigo do bem, talvez encaminhar um déspota, em seus primeiros passos, para as alturas, para sermos depois suas primeiras vítimas.
Enfim, quis com esta modesta comunicação juntar a esta magna obra um tanto prática se se quiser, humana, e em verdade eu próprio termino por me julgar homem e vivendo no meio de vós.
Seria para mim uma grande felicidade haver atingido meu fim.
Que Deus seja convosco.
MATEUS, Apóstolo
===///===
FALA MARIA, MÃE DE JESUS
A minha palavra não pode acrescentar a menor importância a esta obra, pois ninguém ignora que fui um elemento completamente negativo para a missão de meu filho Jesus.
Cedo, entretanto, ao pedido do médium e direi o que possa ser de interesse com referência ao assunto.
Na realidade, era tão pobre a educação da mulher hebreia que dificilmente se teria podido encontrar alguma, capaz de avaliar o significado do que o pretenso profeta, como eu o chamava, manifestava em suas palavras, com sua acção e com seu exemplo.
Entre os homens, tampouco havia-os verdadeiramente preparados para compreende-lo. Eu pensava que meu filho estava louco e todos os da família acabaram por pensar do mesmo modo. Sobre isto, pois, mal posso dizer algo de útil e falarei de preferência do que mais tarde observei em torno da actuação de meu filho.
O martírio e a morte de Jesus, a fé ardente dos apóstolos e a influência de João, iluminaram meu espírito, convertendo-se na minha mente transformada, a vítima inocente em um Semi-Deus, e não coube já em meu espírito a menor dúvida a respeito de tão grandiosa manifestação do amor do Pai sobre seus filhos, os homens todos da criação: isto, porém, se bem significava grandes realidades para minha pobre alma tão cheia de escuridão mental, fora de mim mesma, não podia representar um grande progresso porque na natureza não se dá saltos, senão que tudo se encadeia logicamente; a luz que se fez assim, então, na minha lama, brilhou no fundo de minha consciência, servindo-me de guia em todas as minhas vidas terrestres. O grandioso mito que se fez de Maria entre os Cristãos mais tarde, nada, absolutamente nada tem de real.
Fui sempre mulher, menos uma ocasião, que me ensaiei no sexo masculino; foi a vez que mais comodamente passei, porém que me resultou de pouco progresso para o meu desenvolvimento espiritual. Eu sentia-me sempre inclinada a ser mulher e distingui-me quase sempre por minhas inclinações religiosas, sendo que também fui monja, chegando a ocupar uma invejável posição nesse meio, havendo eu cultivado um pouco minha inteligência, o quanto então era possível a uma mulher religiosa.
Em verdade, recentemente, na minha última estada na Terra, na qual de muitos dos hebreus fui reconhecida, pois poucos anos faz que novamente regressei ao mundo dos espíritos, então adquiriu verdadeiro desenvolvimento a minha inteligência, completamente livre já de todos esses prejuízos causados pelo fanatismo religioso que constitui um obstáculo quase invencível para o progresso humano. Certamente que de amigos recebi constantemente, dentro de uma boa direcção, uma protecção invisível à qual correspondia até onde era possível, aos planos formados de antemão no espaço. Nunca cessou o labor cristão, sempre do alto, pelo próprio Mártir do Gólgota que aí selara com seu sangue os sublimes ensinamentos ensinados já por ele, com a palavra e o exemplo.
Sem dúvida, seguidos foram os obstáculos com que o magno labor tropeçou na terra devido à falta de capacidade de seus enviados para a transcendental tarefa.
Muitos e repetidos foram os ensaios, constante o esforço e continuada a luta, porém faltou a unidade de acção, essa unidade que anteriormente fácil foi alcançar ao Mestre pela mediunidade de Paulo que, submetendo-se a Jesus no caminho de Damasco, nunca lhe faltou durante esses tempos, comunicando com bastante exactidão ao homem a sua palavra, principalmente nas etapas subsequentes, não que diminuísse a mediunidade do Apóstolo, mas sim que lhe foi adverso o ambiente e em nenhum caso o favoreceram as circunstâncias, o referente, ao menos, como que para dar lugar à clareza e segurança das manifestações a que agora alcançou, devido em grande parte às suas recordações retrospectivas que lhe servem de sólida base para não esmorecer em sua tarefa, apesar da incredulidade e oposição dos próprios cristãos que pensam que São Paulo havia de se lhes apresentar como um ser extraordinário, uma personalidade rodeada de portentos e milagres, não já um homem como os demais, muito mais desprendido, que a generalidade, o material e convencional, principalmente no cumprimento de sua missão, porém sem transparecer nada que possa fazer dele um ser superior.
A tradição cristã, muito exagerada quanto ao valor dos homens, converteu os apóstolos, que eram sumamente humildes de posição e compreensão, em personagens de grande valia, tendo sido isto a causa de muitos erros. Estes homens eram unicamente extraordinários por sua fé, sinceridade e vontade ardente assim como por seu grande amor ao Mestre, porém se houvessem tido suficiente adiantamento que lhes permitisse recordar o passado, durante suas encarnações, não teria faltado ao Cristianismo a unidade no esforço e na direcção única, que só de Jesus podia vir. Pelo contrário, nem bem retornados à vida humana, esqueciam todas as suas promessas e toda a noção sobre o verdadeiro propósito e fins precisos de sua missão, vendo-se geralmente, devido a isto, lutarem em campos opostos, como sucedeu durante a reforma, em que ambos os campos se conduziram mal, e muito antes também com as heresias e os trabalhos do livre pensamento.
Muito difícil é e somente por excepção, em muito reduzidos casos, pode ter lugar a recordação das vidas sucessivas, devido a que a memória do homem reside essencialmente no cérebro, podendo recordar, por conseguinte, somente os acontecimentos que se tenham gravado nele durante cada vida. Por isso não se recordam os sonhos que eu diria verdadeiros, quero dizer, aqueles em que, encontrando-se o corpo completamente dormido, vive unicamente a vida vegetativa e não pode o espírito fazer uso de nenhum de seus órgãos por cuja razão se vê obrigado a agir sem corpo; de maneira que, exteriorizadas todas as suas actividades, porque o espírito nunca pode ficar inactivo, resulta viver longe do corpo por meio do corpo que lhe é próprio e dos fluidos que tira do corpo e que o mantém unido a ele, assim como a esse meio especial resultante das actividades de todas as pessoas dormidas também exteriorizadas, que pensam e recordam sem os empecilhos do cérebro, porém, sem deixar, em compensação, neste as impressões que constituem a recordação para o homem; os médiuns e os "mãos Santa", alcançam coisas imensamente portentosas que os profissionais do magnetismo, devido à sua maior fé e em geral mais elevados sentimentos. Mas, volvamos aos propósitos destas linhas.
Encontrando-me, como disse, ao corrente de todos os esforços de Jesus para restabelecer a verdade e pureza de suas doutrinas, chegando a ser, muito cedo, eu mesma uma de suas colaboradoras, tive constantemente o pesar de ver desbaratados seus planos pela razão cruel do completo esquecimento de todo o propósito tomado na vida espiritual, pelos que voltavam à Terra, onde seguiam geralmente rotas opostas às que haviam escolhido. Contudo, o esforço que cada qual fazia para ser virtuoso, a oração e a fé em Deus, assim como a experiência paulatinamente acumulada, foi-lhes dando maior consciência de todas as coisas.
Compreenderam que para dominar o ambiente fluídico, sem o qual nada se alcança, são necessárias também a saúde e as forças físicas, tendo-se empenhado em seu desenvolvimento, principalmente Marcos, Mateus e Paulo; Pedro e João trabalharam mais no sentido extra-corporal.
Deveis saber que a saúde e a força física, dependem em parte do desenvolvimento do corpo astral, e como nada se perde, tampouco se perde o desenvolvimento que em cada vida alcança o homem para seu corpo, pois a envoltura do espírito ao separar-se do corpo material, leva consigo todo o melhoramento, toda a aptidão adquirida e até a tendência para adquirir ou vencer as enfermidades de que sofreu o corpo e pode vencer. Deste modo, melhor preparados, os Apóstolos sempre sob a direcção do Mestre, lograram promover, no século XIX, um grande renascimento religioso, principalmente no Norte da América, na esperança de dele poder derivar um progresso suficiente da religião para voltar à pureza do primitivo cristianismo.
Muito depressa, porém, se aperceberam que as preocupações de raça e de seita dominante naquele ambiente não se prestavam para levar a cabo tal propósito. Dirigiram então suas vistas para a América do Sul.
Todos os apóstolos, menos Pedro e João, tinham voltado à Terra. Os apóstolos não se reconheceram entre si, menos Paulo, que bastante titubeou no princípio de sua missão, chegando até a ridicularizar a Jesus, apesar de ser de temperamento muito religioso. Paulo os foi reconhecendo a todos mais tarde, devido ao grande desenvolvimento que em sua actual vida alcançou pela mediunidade, da qual precisamente se serviu Jesus para ditar a presente obra e com a qual se restabelece a primitiva pureza Cristã, livre de toda a fraude.
Esta mesma exposição que faço, demonstra que o verdadeiro desenvolvimento do cristianismo é devido ao esforço dos apóstolos e seus discípulos, sob a direcção de Jesus, sem nada de milagroso nem de sobrenatural; inculcando, isso sim, ainda que lentamente e de forma que cada qual vá compreendendo por si mesmo, que existem grandes potencialidades no espírito que ele deve desenvolver, principalmente pela virtude e sacrifícios, potencialidades que chegarão a fazê-lo senhor da natureza.
Para abreviar, direi: que Pedro e João, do espaço, conseguiram estabelecer em meados do século XIX, um núcleo importante em Buenos Aires. Esse importante núcleo foi quase constantemente presidido por Santo Estevão, eleito para o lugar por sua fé, constância e laboriosidade inquebrantável, apoiado por uma moralidade sem jaça, secundando-o muito de perto José de Arimateia, que também nesta ocasião ajudou a Jesus com sua posição social distinta e opulenta, pois que, como já vos disse, nada se alcança por milagre, sendo que entre os homens e para todo o labor humano, necessários são meios humanos e ainda quando feito foi pelos esforços do Messias a aproximação do Céu à Terra, sempre que a esta se deve chegar, por meios terrestres o temos de fazer.
Santo Estevão também desfrutava de uma posição social distinta e pecuniariamente desafogada, assim como o evangelista São Mateus, porém, realmente opulento unicamente o era José de Arimateia. São Mateus distinguiu-se principalmente por sua eloquência, com a qual chegou em diversas ocasiões a comover os mais elevados da Sociedade de Buenos Aires. Barnabé desempenhava as funções de tesoureiro e ao mesmo tempo de vigilância da associação; direi seu nome, como o mais modesto e menos conhecido que os anteriores; vou dá-lo para que possa servir de base para o conhecimento a que alguém possa chegar, do facto que nos ocupa: ( chamava-se José Rodriguez e era espanhol ).
Paulo, muito jovem ainda e conduzido inconscientemente do espaço por Pedro e João, apresentou-se à Associação que, se bem fundada em sua origem somente por doze membros, muito numerosa havia chegado a ser naquela ocasião, porém, coisa curiosa, repetiu-se a desconfiança e o temor que houve antes quando os apóstolos não quiseram recebê-lo, renovando três vezes, inutilmente, seu intento até que Barnabé, o mesmo que antes, o apresentou pessoalmente.
Paulo levou depois Marcos, não o apóstolo, mas sim o discípulo de Pedro, o mesmo que com Barnabé o acompanhara em sua viagem a Roma aonde ia evangelizar o Ocidente em nome do Senhor. Ambos foram muito queridos, como já o era Barnabé, por sua laboriosidade e constância, apesar de, do mesmo modo que na época evangélica, Paulo ter actuado mais fora da associação que dentro dela.
O apóstolo Marcos, permanecia então no espaço; digo espaço, porque se bem que tudo existe dentro do espaço, os homens formam parte da Terra e não se encontram directamente no espaço; refiro-me, pois, ao dos espíritos. A Paulo, por sua mediunidade, nunca lhe faltaram sinais e até conversações do mundo dos espíritos, mas temia por não ver nada perfeito nos demais homens, e por outra parte Pedro e João invisivelmente o velavam para evitar todas as comunicações até que seu tempo chegasse; porém, tão depressa conseguiram cercá-lo dos meios que dentro da associação lhe serviam como elementos de força para lutar contra os espíritos do mal que se empenhavam violentamente em destruir a sua obra, Paulo pode ser desenvolvido por eles com segurança, dando-lhe paulatinamente a recordação do passado para que pudesse ter melhor consciência da obra que lhe estava encomendada, pois de outro modo, devido a seu espírito investigador e demasiado positivo, qualidades que já anteriormente haviam embaraçado suas intimidades para com os apóstolos, a sua obra não podia ser conduzida dentro de uma associação de um carácter um tanto místico e porque o regulamento proibia todo o trabalho medianímico, fora da sede da associação e que não estivesse sob a imediata direcção da Comissão espiritual que se havia constituído para dirigir do espaço os trabalhos de tal natureza, que tantos perigos entranhem no homem. Paulo foi amplamente autorizado a trabalhar fora da sede da Associação, assegurando-se-lhe toda a protecção espiritual possível.
As lutas e dissabores que teve que sofrer Paulo por sua obra, são pouco menos que indiscritíveis, salvando-o seu poder excepcional, a ajuda e perícia de seus protectores invisíveis que o rodeavam de dia e de noite, com uma dedicação e denodo incomparáveis.
Grande parte de sua obra permanece desconhecida, porém seus efeitos propagam-se já por todas as partes, e José, o que foi meu esposo, não permaneceu muito tempo no seio da tal agremiação, devido a seu carácter um tanto duro e orgulhoso, ainda não modificado suficientemente desde aqueles tempos. Era entretanto bastante laborioso e culto para poder prestar bons serviços à ideia e o fez, ainda que fora do núcleo.
Tadeu, que ainda está entre vós, no ano de 1905, recebeu de Itália, sua terra natal, a "Vida de Jesus ditada por ele mesmo", traduzida do francês para o seu idioma, e a "Sociedade Científica de Estudos Psíquicos" fê-la traduzir para o castelhano, encarregando-se deste trabalho o seu próprio Presidente, que conhecia bem esse idioma por haver feito os seus estudos em Itália.
O segundo tomo foi ditado depois ao médium X. X., instado para isso, por Jesus, em repetidas ocasiões. Depois de uma aparição de Jesus ao médium, além de diversas notáveis manifestações, foi que ele acedeu, plenamente convencido da intervenção directa do Mestre.
Recebeu-se então a comunicação, cercando-a de um controle muito grande e rigoroso, razão por que demorou tanto a completar-se a Segunda parte, recentemente terminada, com a adição de dois novos capítulos, o XXV e o XXVI, e a presente comunicação.
Também as outras mulheres seguiram, como eu, prestando a sua cooperação à grande obra iniciada por Jesus há quase dois mil anos, encarnando elas também, de preferência, no sexo feminino. Salomé fez parte do núcleo durante a maior parte de sua vida, prestando importantíssimos serviços com sua mediunidade.
E seu filho Tiago ajudou Paulo com muito interesse e carinho, com outros dois apóstolos que não vou nomear. Marta evangeliza na cidade de Córdova, e Madalena trabalha também com afinco dentro e fora do núcleo, nesta capital. Eu também cooperei neste grande movimento, consagrando-lhe a maior parte de minha última existência e mantendo estreitas relações, desde Espanha, com o núcleo de Buenos Aires. E foi esta a época de maior luz para o Cristianismo definitivamente libertado de todo o dogmatismo que Jesus sempre combateu fora de toda a religião, porque o Cristianismo é a religião.
Os discípulos dos discípulos do Senhor, espalhados por todo o mundo, levam a boa nova por todos os âmbitos do globo, fazendo estremecer os templos idólatras, desde os seus alicerces, para que compreenda a ideia de Jesus, que se reconheça o universo inteiro como o templo do Altíssimo.
Louvores a Jesus a quem tudo isto é devido ! Jesus é um irmão nosso, é um dos nossos disposto sempre a aproximar-se de todo aquele que sinceramente o chame, mas por sua elevação e por sua alta missão, o chamamos: O Senhor, sem fanatismo, apenas como sinal de amor e gratidão pela obra de seu imenso amor.
Em seu nome despede-se de vós e vos abraça,
MARIA