A MISSÃO DO CRISTO
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Sua Missão, Sua Morte e Ressurreição
Na primeira parte abordámos, citando-O, seu nascimento, seus primeiros anos de vida, terminando por O transcrever no tempo de seus 23 anos. Arrolámos de seguida os Seus Conselhos doutrinários, nos quais se plasma toda a Grandeza de Sua Obra Messiânica.
Cumpre-nos, agora, continuando a ouvi-Lo e a citá-Lo, falar de Seu Messianismo, de Sua Morte, de Sua Ressurreição, sem nos esquecermos de falar do processo que utilizou para se mostrar aos apóstolos, bem como do evento que é causa do desaparecimento de Seu corpo cadáver.
Reiniciamos no momento em que Jesus nos fala de seus estudos junto de José de Arimateia:
" Comecei pela filosofia com ideias precisas sobre a imortalidade da alma. Minhas noções de história eram fracas e custou-me muito trabalho fixar meu espírito no círculo das ciências exactas. A Astronomia prendia minha atenção por causa das esplêndidas maravilhas que desenvolvia sob meus olhos, porém a contemplação destas maravilhas distanciava-me da curiosidade das demonstrações, persuadido como estava da insuficiência da teoria. "
" Os romanos e os hebreus possuíam apenas as noções de astronomia dos egípcios; é sabido que nos povos guerreiros e nos conquistados faz pouco progresso a ciência. "
" Praticava a observância da lei mosaica com escrupulosa exactidão e as fantasias de minha imaginação detinham-se no dogma sagrado. Porém, pouco a pouco, fortes tendências para um espiritualismo mais elevado fizeram-me desejar as grandes manifestações da alma, com a alma no vasto horizonte das alianças universais. Devorado por um imenso desejo de descobrimentos que empolgava todas as minhas faculdades e da penosa expectativa do desconhecido, que perturbava meus sonos e entristecia meus pensamentos de solidão, roguei, supliquei a José de Arimateia que me explicasse os mistérios da Cabala, também chamada ciência dos espíritos. "
" Eu tinha ouvido falar desta ciência como de um estorvo para a inteligência, e haviam-me assegurado que todos os que abertamente se ocupavam dela faziam-se objecto de piedade senão de desprezo. Porém, sabia também que muitos homens de boa posição social demonstravam desprezo pela ciência dos espíritos, unicamente pelo respeito humano para com a opinião geral, opinião que se baseava sobre escrúpulos religiosos mantidos acesos pelos sacerdotes. "
" José recebeu muito mal minha curiosidade. A Cabala, segundo ele, servia tão-somente para produzir a perturbação, o desassossego, a semente da revolta nos espíritos fracos. "
" E como poderia eu, tão jovem, distinguir o bom grão do joio, se a maioria dos homens se deixava desviar do recto caminho por uma falsa apreciação desta ciência e por funestos conselhos dados com leviandade e com maus propósitos ? "
" Voltei repetidas vezes à carga até que, vencido por minha insistência, ou iluminado talvez por uma repentina visão, José consentiu em iniciar-me na ciência dos Espíritos. "
" A Cabala, disse-me José, vem desde o tempo de Moisés, e depois de Moisés, que mantinha relações com os espíritos, porém dava aspecto teatral a estas relações. A Cabala serviu sempre os homens de dotes eminentes para colocar, no seio da humanidade, as preciosas demonstrações recolhidas na afinidade de suas almas com as almas errantes no Céu de Deus. "
" A Cabala vem desde o tempo de Moisés, para nós que nada vemos mais além de Moisés, mas a Cabala deve ser antiga como o mundo. Ela é uma expressão da personalidade de Deus, que confere sonoridade ao espaço e aproximações ao infinito. "
" Ela constitui uma lei tão grande e honrosa para o espírito, que este define-a como uma aberração, quando suas aptidões não o levam a estudá-la, ou quando recebe toda a classe de abalos e de aflições se a estuda sem compreender sua utilidade e seu fim. "
" Os homens que falam a Deus sem ter consciência de Sua majestade, não obtêm da prece mais que um fruto seco, que a imaginação lhes apresenta como um fruto saboroso. "
" Porém, o amargor faz-se depressa sentir e assim se explica a secura da alma, o isolamento do espírito, a pobreza da devoção. "
Convoco a vossa especial atenção para o ponto que se segue:
" Na ciência das comunicações espirituais, o espírito que se desvia do princípio fundamental desta ciência, não obtém nada de verdadeiro e útil. Pode dirigir-se a elevadas personalidades, porém respondem-lhe inteligências medíocres e caminha como um cego, retardando-se cada vez mais nas escabrosidades do caminho. "
" O princípio fundamental da ciência cabalística reside integralmente na abnegação do espírito e na liberdade de seu pensamento com relação a todas as noções religiosas adquiridas anteriormente em seu estado de dependência humana. "
" Prometi a José muita prudência e respeito no estudo desta religião, da qual minha alma e meu espírito estavam enamorados, com o fanatismo das grandes aspirações. "
" José escutava-me com o pressentimento de minha predestinação às honras de Deus ( assim me confessou depois ), tão grande foi a veemência de minhas palavras e tal foi a unção de minha gratidão. Dois dias depois desta conversa, José levou-me a uma reunião composta por homens quase todos chegados à idade madura. Eram cerca de uns trinta e não demonstraram surpresa à nossa chegada ( apercebi-me de que nos esperavam ). Colocamo-nos todos perto do orador. "
" As sessões cabalísticas eram abertas com um discurso. Nele fazia-se, como exórdio, a enumeração dos motivos que impunham a vigilância para que não fossem admitidos à assembleia senão os neófitos por quem pudessem responder os membros mais velhos. "
" Portanto um membro recentemente admitido não tinha o direito de apresentar um noviço. Eram necessários muitos anos de filiação para chegar ao patrocínio, embora este patrocínio não levantasse nunca oposições. "
" Esta sessão deixou minha alma ainda mais desejosa das alegrias de Deus e meu espírito num profundo recolhimento para merecer estas alegrias. "
" Não pronunciamos uma só palavra até meu domicílio. "
" Até amanhã, disse-me José, separando-se de mim. "
" No dia seguinte, José dirigiu-me em meus primeiros ensaios mediúnicos e demonstrou-se satisfeito dos seus resultados. Meu regresso a Nazaré deu uma trégua às preocupações de meu espírito. "
" No intervalo que vai dos meus quinze anos de idade, até ao falecimento de meu pai, permaneci a maior parte de meu tempo em Jerusalém. "
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Esta secção de texto, mostra-nos o percurso de estudante que o senhor Jesus percorreu junto de José de Arimateia, de sua vontade em conhecer os 'mistérios' da Cabala, dado toda a confusão que ia na sua alma por tudo o que dela ouvira dizer.
José de Arimateia, intuindo a predestinação de Jesus, explica-lhe não somente a história da Cabala, como ainda o que era a própria Cabala, indicando as causas que lhe motivam certas adjectivações.
Efectivamente, quando a ignorância fala, chora de pena ... a Verdade !
Volto a transcrever essa parte. Reparai:
" Ela constitui uma lei tão grande e honrosa para o espírito, que este a define como uma aberração, quando suas aptidões não o levam a estudá-la, ou quando recebe toda a classe de abalos e de aflições se a estuda sem compreender sua utilidade e seu fim. "
José de Arimateia, claro e conciso, explica a Jesus de Nazaré a grandeza da Cabala, ao ponto de a erguer à situação de Lei grande e honrosa para todos os espíritos que a saibam estudar e compreender. Sim ! Porque para os outros ... que nem ler sabem, não passa ela de ser ... uma aberração.
Hoje, infelizmente, para uma parte da Humanidade, a " Cabala " de nossos dias, é ainda tratada como aberração, como um coiso !
A vós outros que tal adjectivo lhe criaste, ninguém do Alto vos aclama. Todos, a contrário, vos lamentam. Sabereis um dia ... porquê !
Mais adiante o Senhor Jesus diz:
" A Luz de Deus penetrava em mim, removia as dificuldades que se levantavam no mundo humano e não me permitia ver senão o fim, que era o de dirigir a terra por um caminho de prosperidade e de amor. Elevando minha personalidade, porém atribuindo a Deus esta elevação, desejando a popularidade, porém resolvido a empregá-la exclusivamente no bem dos demais, medindo com um olhar cheio de luz que lhe dava o estudo das leis e da época, o perigo de morte que tinha de desafiar e os caminhos espinhosos que teria de percorrer, havia chegado à convicção profunda da eficácia de meus meios. "
" Democrático por inclinação mais do que pelos raciocínios políticos, defensor do pobre com a ideia fixa de o encaminhar para a transfigurada imagem do porvir e desdenhando os bens temporais porque me pareciam destruir as faculdades espirituais, punha em prática até com as pessoas de minha intimidade, a observância rigorosa dos preceitos que tinha a intenção de estabelecer como princípio de uma moral poderosa e absoluta. "
" Minava os alicerces da muralha da carne, jurando perante Deus respeitar o espírito a expensas do corpo, sacrificar as tendências da matéria em face das delicadezas da alma, permanecer senhor de mim mesmo em meio da violência das paixões carnais e elevar-me, para as altas regiões, puro de todo o amor humano sensual; fugir da companhia de gente feliz no ócio e aproximar-me às corrupções e infelicidades para as converter em arrependimentos e esperanças; apagar em mim, todo o sentimento de amor próprio e iluminar os homens com o amor de Deus; ajuntar à moral pregada por espíritos eleitos a moral fraterna pregada por um obscuro filho de operários; irmanar a prática com a teoria, levando uma vida de pobreza e privações; morrer, enfim, livre dos laços humanos e coroado pelo amor divino. "
" Com tua poderosa mão, oh Deus meu, dirigiste meus actos e minha vontade, posto que teu servo não era mais que um instrumento e a pureza honrava o espírito do Messias, antes que este espírito se encontrasse unido com a Natureza humana na personalidade de Jesus. "
" Irmãos meus, o Messias tinha vivido como homem sobre a terra e o homem Novo tinha cedido seu lugar ao homem compenetrado das grandezas celestes, quando o espírito se viu honrado pelos olhares de Deus para ser mandado como enviado e mediador. "
" O Messias tinha já vivido sobre a Terra porque os Messias jamais vão como mediadores a um mundo que não tenham habitado anteriormente. "
" A grandeza da nova luz, da lei que eu trouxe por inspiração divina, encerra-se toda ela nos nossos sacrifícios e no nosso amor recíproco que nos elevam fraternalmente para a comunhão universal e para a paz do Senhor nosso Pai. "
" Meu sacrifício foi de amor em sua mais veemente expressão, amor para com os homens inspirado por Deus e o amor de Deus que ampara o espírito em suas fraquezas humanas. "
" Irmãos meus: a tristeza de Jesus no horto das oliveiras e a agonia de Jesus sobre a cruz estiveram misturadas de força e de fraqueza. Mas o amor do Pai inclinou-se sobre a tristeza de Jesus e ele levantou-se dizendo a seus apóstolos: Minha hora é chegada. "
" O suor de sangue e as grandes torturas haviam diminuído o amor paterno; mas a ternura do Pai reanimou o moribundo coração e Jesus pronunciou estas palavras: "
" Perdoa-lhes, pai meu, eles não sabem o que fazem. Faça-se a tua vontade, em tuas mãos entrego minha alma."
" Repito-vos, irmãos meus, a pureza do espírito encontrava-se na natureza do Messias, antes que ele se encontrasse entre vós como Messias. Repito-vos também, que os olhares de Deus lançam a semente em um tempo para que ela dê frutos em outro tempo e os Messias não são mais do que instrumentos da divina misericórdia. "
A palavra de Deus é eterna, ela diz:
" Todos os homens chegarão a ser sábios e fortes pelo amor do seu Pai. "
A palavra de Deus é eterna, ela diz:
" Amai-vos uns aos outros e amai-vos sobre todas as coisas. "
Ela diz:
" O espírito adiantado envergonha-se, na matéria, ao tomar parte nas discussões infantis. "
" Compenetrado da grandeza do porvir, honra esse porvir e vence os obstáculos que se opõem à sua liberdade. "
" Todas as humanidades são irmãs; todos os membros destas humanidades são irmãos e a terra não encerra senão cadáveres. "
" A verdadeira pátria do espírito encontra-se esplendidamente decorada pelas belezas divinas e pelos claros horizontes do infinito. "
" Irmãos meus: Deus é vosso pai como é o meu; porém, na cidade florida aonde se encontram e recebam os Messias, o título de filho de Deus pertence-nos de direito. Chamai-me, pois, sempre filho de Deus, e tende-me por Messias enviado à Terra para a felicidade de seus irmãos e glória de seu pai. "
" Iluminai-vos com a luz que faço brilhar diante de vossos olhos. Consolai-vos uns aos outros, perdoai aos vossos inimigos e orai com um coração novo, livre de toda a mancha, de toda a vergonha por este baptismo da palavra de Deus, que comunico ao vosso espírito. O Messias torna a ser mandado, em vosso auxílio, não o desconheceis e trabalhai para participar de sua glória. Escutai a palavra de Deus e ponde-a em prática. A divina misericórdia vos chama, descobri a verdade com coragem e marchai para a conquista da liberdade de mãos dadas com a ciência. "
" Repeli a perigosa apatia da alma para aspirar as deliciosas harmonias do pensamento divino e bebei do livro que vos dito, os princípios de uma vida nova e pura. Fazei bem ainda que aos vossos inimigos e avançai, com passo firme, no caminho da virtude e da verdadeira honra. A virtude combate as más inclinações e a honra verdadeira sacrifica todas as prerrogativas do eu pela tranquilidade e felicidade da alma irmã."
" Irmãos meus, vos abençoo-o ao terminar este segundo capítulo. "
Jesus de Nazaré
Caríssimos:
Tive de chegar até aqui, nesta transcrição que vos fiz da Obra grafada pelo Senhor Jesus " VIDA DE JESUS DITADA POR ELE MESMO ", com a devida e legal autorização da Livraria Freitas Bastos Editora, do Rio de Janeiro, Brasil, da Obra maravilhosa que o Senhor Jesus nos ofereceu, em pleno século XIX, através de uma médium de pouca cultura literária, residente que foi em Avinhão, sul de França.
Tive de chegar até aqui, para vos falar e identificar esse Jesus de Nazaré que, conforme referi, muito pouco conhecido e amado está.
Pelo que acabaste de ler ( de apenas dois capítulos de tal Obra ), facilmente vos será concluir que, afinal, Jesus de Nazaré, apesar de ser o Messias prometido, o Cristo de Deus enviado à Terra, apesar de ser esse Espírito Divino que por nós responde perante o Pai Celeste, apesar disso, dizia eu, sofreu como nós sofremos por certas inclinações que a matéria nos promove; sofreu como nós sofremos quando ainda nos irritamos; sofreu como nós sofremos quando nossa paciência se esgota por vezes ainda, nesses nossos naturais limites; sofreu, enfim, como qualquer espírito sofre quando está mergulhado na carne, na matéria finita e limitada.
Tudo isso Ele nos revela, humilde e naturalmente !
Sofreu quando amou e não pode corresponder a tal Amor !
Sofreu quando chicoteou, expulsando os vendilhões do Templo !
Sofreu quando chamou hipócritas aos que tudo vendem, que tudo comercializam, sem nada ensinarem de concreto !
Sofreu quando sentiu lhe faltarem forças para cumprir a Missão que o Pai lhe solicitara !
Mas ... tudo venceu, pela ORAÇÃO !
Mas ... tudo venceu, pela RESIGNAÇÃO !
Mas ... tudo venceu, por Seu AMOR a todos nós !
Mas ... tudo venceu, APOIANDO-SE em Deus, Seu e nosso Apoio Eterno.
Jesus de Nazaré foi e provou ser ... Humano !
Jesus de Nazaré foi e provou ser ... Médium !
Jesus de Nazaré foi e provou ser ... Espírita !
Jesus de Nazaré foi e provou ser ... Divino !
Diríamos nós, hoje, volvidos 2.000 anos, que foi e soube ser, por tudo quanto disse e por tudo quanto fez, o Médium dos Médiuns, o Espírita dos Espíritas.
Jesus de Nazaré foi e é esse Espírito Divino que aqui veio e aqui soube cumprir Missão dificílima, que Deus lhe requereu, para nosso entendimento e salvação.
JESUS DE NAZARETH, merece, pois, de todos nós, mais RESPEITO e mais AMOR !
Nós, que ontem O amámos e O defendemos no Sinédrio mas que, impotentes fomos para o libertar da Cruz, aqui estamos, hoje, de novo ao Seu serviço e ao vosso Serviço, para vos dizer o que ontem não vos podemos falar.
E não o podemos falar, porque, como bem concluireis, não havia no Homem de ontem, o discernimento e a evolução que hoje lhe encontramos.
Hoje, todos nós evoluímos um pouco mais e, por isso, mais e melhor sabemos compreender as coisas, os valores, os princípios e as normas divinas que a todos orientam.
Jesus de Nazaré continua a ser, hoje, esse Espírito Redentor, sempre ao nosso lado, se d' Ele nos fizermos companhia Irmã !
Jesus de Nazaré continua a ser, hoje, para cada um de nós, o irmão mais velho, o mais Sábio, o mais Amigo, o mais Protector, o mais Companheiro e o mais Fiel !
JESUS foi o nosso Salvador e sê-lo-á para sempre.
Importa pois, para o bem de cada um, que todos isto compreendam, aceitem e assumam em si mesmo, no rigoroso cumprimento de Seus Preceitos que, a todos, soube deixar:
- " Amai o Pai acima de todas as coisas, em espírito e em Verdade, e amai-vos uns aos outros como Eu vos AMO " !
- " Se isto fizerdes, tereis a Vida Eterna " !
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Retomemos o contacto com o Senhor Jesus, ouvindo-O agora falar de nosso Irmão, Judas Escariotes:
" Pobre Judas ! Em minhas últimas horas, ocupaste mais que ninguém meus pensamentos, e minha alma se inclinava para a tua para falar-te de esperança e de reabilitação. "
" Perdido; costuma-se dizer perdido, ao que atraiçoou a Jesus. "
" Oh ! Não ! Nada se perde das obras de Deus, todas estão destinadas a ser grandes, todas se verão honradas, embora todas comecem arrastando-se penosamente desde a falda da montanha, para se iluminarem depois com a chama divina ao chegar lá em cima. "
" Pobre Judas ! Agora eu tenho piedade e lágrimas para ele. "
" Até agora todos o têm caluniado e injuriado como a um imperdoável traidor. Não obstante deviam compadecer-se dele: entretanto, ninguém tem, em troca, uma lágrima para o pobre Judas. "
" Eu que fui atraiçoado por ele, perdoei-o desde então; ele progrediu depois, convertendo-se em mestre como ainda o é, se bem que não costume revelar seu nome quando se comunica, devido à marca cruel de opróbrio com que o homem o assinalou. "
Se Jesus nos revelou um Deus Pai de Amor e de Bondade, um DEUS que AMA e sabe AMAR toda a Sua Criação, porque motivo continuam alguns a não reconhecer este DEUS revelado por Jesus, apresentando, ao invés disso, alguém a quem chamam deus, mas que, segundo eles, não sabe perdoar, nem Amar ? Que reais interesses os move, para que se situem ainda neste degrau frio, pobre e triste do conhecimento ?
Vejamos o que, para estes mesmo, em Seu Amor incondicional, informa o Divino Mestre:
" Saibam eles que nem uma só alma será ou poderá perder-se e que entre os anjos puros e gloriosos que são dignos de se encontrarem em presença do Pai, não há um só que não tenha pecado e sofrido, que não tenha palmilhado o duro caminho do pão da tribulação, exactamente como eu fiz. "
Jesus de Nazaré
Divino, diremos nós ! Mais uma vez nos dá Jesus, nesta Sua Mensagem referida a Judas Escariotes, uma lição de amor, de perdão e de misericórdia, ao fim e ao cabo, de Sua efectiva Grandeza.
Relata Jesus Sua dor e piedade por Judas ! Fala-nos de Seu Amor e Perdão por ele.
Outra coisa que Jesus dissesse ou fizesse, negaria Sua Divina Pessoa.
Assim, exemplificando o Amor, o Perdão e a Misericórdia, temos, meus Amigos e meus Irmãos, o Jesus de Nazaré que muito amamos, desde sempre.
Judas Escariotes é, pois, hoje, Mestre ! É o Senhor Jesus quem o afirma.
Sim ! Tudo se vence ! Tudo se cumpre ! Tudo se redime ! Tudo se eleva !
Mentalmente, vos pedimos, enviem-lhe vosso Amor e Abraço, na certeza de que Judas Escariotes vos ouvirá, vindo em vosso auxílio. Façam isto sem medo, por que, o medo, meus Irmãos, não existe na mente dos que se encontram junto de DEUS, ou debaixo de Suas Bandeiras !
Hoje, nestes Tempos de final de século XX, nesta noite de passagem de ano ( 31 de Dezembro de 1999 ), aqui estamos convosco, nesta meditação, nesta dádiva de amor fraterno, nesta apresentação do Cristo, na pessoa sublime do Senhor Jesus de Nazaré.
Lá fora estrelejam foguetes ! Aqui dentro, ora-se e pede-se pela Terra, por toda esta Humanidade, que ainda somente ... sabe sofrer !
Para que cessem as guerras e as ofensas, que nada têm a ver com a Doutrina da Luz, do Amor, da Paz e do Perdão !
Para que cessem vaidades e orgulhos, ofensas de uns contra outros !
Para que haja, por Cristo ser o único Caminho para DEUS, uma única Doutrina, uma única Religião, uma única Igreja !
A que foi edificada por Ele no coração de todos, demonstrada que foi depois por Pedro, mas que foi também, tão somente, destruída pelo poder temporal que ainda hoje reina.
Por este mesmo poder que, afinal, não conseguiu - ainda não conseguiu - dar D' Ele Testemunho, pois que não soube, como se constata, Doutrinar o Homem dentro do AMOR, dentro desse único Valor, que o poderá promover junto de DEUS.
Destas minhas palavras doridas, cada um retirará, sem julgamentos, o que delas lhe bastar para ser Luz, em Cristo Jesus. Nada mais !
Reporto-me, agora, como vos prometi, à Ressurreição anunciada por Jesus:
Começo por vos relembrar que a Alma não morre !
Ora, se não morre, como é que poderá ressuscitar, perguntareis vós ?
Vede ! A morte a que o Senhor Jesus sempre se referiu, é esse estado de vida, é essa forma de vida por que passa a Alma sempre que erra, sempre que pratica um ilícito contra a Lei Suprema de Deus.
Não que a Alma morra ! Não ! A Alma nunca morre ! Apenas ...
Apenas, porque a Justiça de Deus se aplica inexoravelmente a todo aquele que a transgrida, cada um que ofenda a Grande Norma, seja por uma ofensa feita contra Deus, seja por uma ofensa realizada contra qualquer de seus Irmãos, ou mesmo contra qualquer outra criatura de Deus, fica, automaticamente, sujeito à sanção imperativa de tal Lei.
Portanto, se a Alma transgredir contra a Lei de Deus, fica automaticamente nessa situação de faltosa, de devedora, de pecadora e, assim, se desencarnar ( se falecer fisicamente ), antes de se redimir junto de Deus e de quem ofendeu, ao ' acordar ' no Mundo dos Espíritos ( nessa sua zona do Umbral ), ver-se-á não em Plano de Paz, de Luz e de Harmonia, mas sim, a contrário, em Plano de sofrimento, de angústia, de dor, de Trevas !
- " A cada um se dará ... " ! Sim ! Jesus, não mente !
As Trevas ( o sofrimento ) são, pois, o lado oposto à LUZ !
A LUZ que todos buscamos na Terra, vida após vida, é o fim último a atingir, pois que, somente quando formos LUZ, teremos acesso directo, por mérito, a DEUS e a viver em Sua Comunhão, rodeado pelos demais Mestres Ascensionados que, aquando de suas encarnações terrenas, souberam vencer-se, vencendo suas tentações e mediocridades.
Que ninguém se iluda, pois nada nos é dado sem possuirmos mérito ou direito a tal !
Assim, quando as Almas se redimem, quando vivem no constante cumprimento da Lei de Deus, amando e perdoando, resignando-se quando sofrem, terão Jus e serão, finalmente, Luz. São os " Bem Aventurados e benditos de Meu Pai " de que Jesus falou !
Porque todos somos Almas ( centelhas divinas ) em evolução, quanto mais depressa isto compreendermos, mais rápida será essa nossa ascensão a Planos Superiores da Vida. Mais depressa seremos Mestres Ascensionados, continuando, porém, ao serviço santo da grande Causa Divina.
Portanto, Ressurreição acontece sempre que uma Alma vença suas tentações; sempre que souber caminhar pelos caminhos da Vida, pensando e conformando sempre sua trajectória pelo Direito Divino, aqui soberanamente apresentado pelos exemplos de Jesus de Nazaré;
Ressurreição significa, assim, LUZ e etapa ganha ! Etapa que levou essa Alma conquistadora, à Luz, a DEUS !
Ressuscitando-se, ou seja, tendo-se mérito à LUZ, sendo-se Luz, obtém-se, assim, direito à Ascensão a esses planos Superiores da Vida, onde se viverá para sempre, em PAZ, em ALEGRIA, em HARMONIA, enfim ... em DEUS.
Vivendo-se e trabalhando-se em DEUS, outras tarefas nos serão atribuídas, dado que ninguém, nos Planos Superiores da Vida, vive do ócio.
Não ! Outros trabalhos de maior responsabilidade nos serão solicitados, de acordo ou em conformidade com a nossa posição nesse colégio Divino, sempre em beneficio de quem se encontra, ainda, subindo os degraus da escada do aprimoramento.
Daí estarmos sempre disponíveis para ajudarmos DEUS na Sua Criação, da qual, sem engano, todos fazemos parte.
Quando oramos aos nossos ' Santos ' outra coisa não estamos fazendo que não seja, afinal, a pedir a esses Seres de LUZ, a esses Seres nossos Irmãos que já atingiram o topo da escada, para que, por DEUS e com DEUS, nos ajudem a subir os nossos degraus.
Quer a Ressurreição, quer a Ascensão a Planos Superiores da Vida, apenas se devem compreender como referidas à Alma, ao Espírito, e nunca ao corpo físico.
O nosso corpo físico, como se sabe, finda que seja mais uma Vida neste Plano Terreno, ao pó regressa !
Esse corpo físico, por sua morte, termina sua tarefa, isto é, deixa de ser instrumento ao espírito que o ocupou !
Não se ensina, apesar de muita fantasia, que a Alma, por morte de seu corpo físico, o abandona !? Logo ...
Logo, não há isso que alguns afirmam existir: ressurreição da carne !
Ora, se não existe ressurreição da carne, não haverá, logicamente, por tal verdade, ascensão do corpo físico a Planos Superiores da Vida ( ao chamado Céu ), pois que, no Mundo Espiritual, nesse dito Céu, apenas Espíritos desencarnados ( sem corpo físico ), podem viver !
Tudo o que se possa, fantasiando, dizer em contrário, é negar a Criação, é negar a Verdade e o próprio ESPÍRITO DE DEUS.
Negar o próprio DEUS dizemos, não que Ele não tenha poder para ressuscitar um corpo físico morto, mas sim, porque a Sua Lei é ETERNA, e por não ter sido à ressurreição do físico que Jesus se referiu, quando dela nos falou.
Não estamos, assim, a retirar a DEUS a Sua Omnipotência, apenas estamos, em plena maturidade, a conceder-Lhe o estatuto que Ele detém, isto é, o de ser: Ser Supremo e Absoluto, Constante, que, quando faz ... faz para sempre, sem engano.
Deus, não vive em zigue-zague !
Cumpre-nos agora, que estamos terminando esta Segunda parte de " A MISSÃO DO CRISTO ", informar o que é que aconteceu ao corpo do Senhor Jesus, nessa manhã de Domingo.
É simples:
Nesta mesma Obra da qual estamos transcrevendo, com a devida e necessária autorização, algumas partes, no seu capítulo XXVIII, Pedro, o Apóstolo, informa-nos o que fez ao corpo do Senhor, conjuntamente com José de Arimateia, proprietário do sepulcro onde, como se sabe, se encontrava o Corpo Santo de Jesus.
Temendo que o corpo fosse profanado por seus inimigos, Pedro, na noite de Sábado para Domingo, receoso mas determinado, dirigiu-se ao sepulcro levando um lençol lavado e o seu bastão.
Chegado junto deste ouviu ruído, e, temendo ser descoberto pelos inimigos do Senhor, resguardou-se !
Veio a reconhecer, depois, a figura que se desenhava na noite, como sendo a de José de Arimateia, que ali se deslocara igualmente.
Intrigado por tal presença, Pedro dá-se a reconhecer a José de Arimateia e, inquirindo-se reciprocamente, depressa se informam do motivo que ali os levara.
Ambos, concluem, receavam que o corpo Santo fosse ofendido e, perante tal receio, cada um de per si, empreendeu a missão de O esconder em outro sepulcro.
Pedro e Arimateia, identificados perante a missão que ali os levara, meteram, pois, mãos à transladação do corpo.
Após grande esforço, que lhes ocupou muito tempo, conseguiram, finalmente, retirar a laje que impedia o acesso ao interior do sepulcro.
Após isso, retiraram e mudaram o lençol no qual Jesus estava envolto.
Opinavam, agora, em que sepulcro deviam deixar os restos mortais do Divino Mestre, quando os raios da alvorada os surpreendeu.
A conselho de José, foi o santo corpo de Jesus deixado num sepulcro abandonado, por seus titulares ( proprietários ), terem ido viver para Roma.
Apressados, dado que o dia começava a nascer, combinam entre si silêncio absoluto sobre tudo o que acabavam de efectuar, dirigindo-se, depois, cada um por seu caminho, a suas casas.
Quando na manhã desse domingo, as mulheres se dirigiram ao sepulcro para terminarem as exéquias fúnebres que, ao tempo, eram usuais, encontram-no aberto, no chão o lençol ensanguentado que Pedro mudara, e o corpo ... ausente.
O resto é fácil de deduzir !
Quanto a Pedro e a José de Arimateia, esses ... cumpriram seu voto de silêncio !
Duas notas finais que comprovam que somente o Espírito vive após a morte de seu corpo físico.
Como sabeis, o Senhor Jesus fez-se visível aos Seus Apóstolos, quando estes se encontravam reunidos à porta fechada.
Ora, somente um Espírito ( nunca um corpo físico ), poderia atravessar a porta e fazer-se visível no meio deles, sem que alguém, antes, lhe abrisse ou tivesse aberto a porta.
O Evangelho diz-nos que Jesus se fez visível entre eles ! Logo, não se apresentou fisicamente, pois que era morto !
Efectivamente, um determinado Espírito, perante determinada Missão que o Pai previamente autorize, pode fazer-se visível entre os mortais. Muitos casos históricos têm acontecido, desde sempre.
Existe um processo, que, accionado, leva a que este ou aquele espírito, possa, pois, tornar-se visível e ser, inclusive, tocado. Trata-se do processo conhecido por Materialização de espíritos.
Aconteceu isso com o Senhor Jesus. Jesus, materializou-se e fez-se visível e tangível aos olhos e sentidos físicos de Seus Apóstolos.
Materializou-se quer junto de Seus Apóstolos, quer junto das santas mulheres, quer ainda junto de outras Pessoas, a quem também apareceu.
É, pois, possível ver espíritos. Seja, desde logo, pelo processo da vidência mediúnica, seja porque os espíritos se materializam e se tornam visíveis e tangíveis aos órgãos da matéria.
Que estas notas, meus Amigos, vos sirvam para iniciardes vosso estudo, em prol de vós mesmo.
Todo o que busca, encontra !
O Mestre acolhe e ajuda sempre os que procuram ! Daí ter Ele afirmado:
- " Ajuda-te, e o Céu te ajudará ! "
Que a Sua Paz seja convosco !