A MISSÃO DO CRISTO
1
Nascimento, infância e juventude de Jesus
Irei falar-vos de um Jesus que ainda é, para a grande maioria, desconhecido. Não que seja diferente d' Ele mesmo ! Não ! Tão somente, porque não foi ainda devidamente traduzido ou apresentado.
Ao aceitar a Missão que me foi outorgada, fi-lo consciente de suas efectivas dificuldades. Desde logo, por saber quão difícil me seria seu cumprimento, dado que, mesmo que tal não se situe em minha vontade, sempre irei contundir com certos poderes terrenos instalados. Depois, por força disso, ainda sem vontade, decerto que irei ferir algumas susceptibilidades. Mas, porque a Verdade é uma só, apesar de ventos e tempestades, seguirei adiante, serenamente !
A ninguém irei impor seja o que for. Todos, sem excepção, são titulares soberanos desse Bem outorgado por Deus, que se conhece por: Livre-arbítrio.
O vosso livre-arbítrio é, pois, soberano e, porque o é, ninguém vo-lo poderá coarctar ! Já sois Individualidades ! Logo ... não tendes dono !
Cumpre-me, tão somente, alertar-vos para os perigos advenientes de vossas acções que, apesar de estarem sob protecção dessa vossa soberania, firam, no entanto, a LEI de DEUS ( seus naturais limites ), que tudo fiscaliza e regulamenta ex-tunc, ou seja, desde sempre e para sempre. Daí defendermos o Direito Divino, como sendo, porque o é, Ciência Jurídica Exacta.
Ao vir falar-vos da LEI de DEUS, falarei de quem no-La explicou em detalhe, apesar de Lhe termos dado morte horrenda na Cruz.
É, pois, do Cristo que vos venho falar, falando, logicamente, de quem nos veio com tal Missão: Jesus de Nazaré.
Jesus de Nazaré foi o filho mais velho de sete irmãos.
Foi o primeiro filho natural e legítimo de Maria e de José !
Ouçamos o que o Senhor Jesus, Ele próprio, nos diz sobre isso:
" O meu nascimento foi o fruto do matrimónio contraído entre José e Maria. José era viúvo e pai de cinco filhos quando casou com Maria. Estes filhos passaram à posteridade como meus primos. Maria era filha de Joaquim e de Ana, da cidade de Jericó, e tinha apenas um irmão chamado Tiago, dois anos mais moço que ela. "
" Nasci em Belém. Meu pai e minha mãe fizeram esta viagem, sem dúvida, para tratar de assuntos particulares e por prazer, com o fim de reatar relações comerciais e também para estreitar amizades: eis a verdadeira história. "
" Meus primeiros anos transcorreram como os de todos os filhos de operários remediados, e nada ofereceram como indício da grandeza de meu futuro destino. "
" Eu era de carácter tímido e de inteligência limitada, tímido como os meninos educados com severidade e de limitadas faculdades intelectuais como todos aqueles cujo desenvolvimento intelectual se descuida. Para minha família era eu um ser inofensivo, órfão de qualidades de valor, do que resultaram as primeiras homenagens que tributei a Deus. Débil e pusilânime diante de meus pais, forte e animoso ante a ideia de Deus, o menino desaparecia durante a prece para ceder seu lugar ao espírito, ardoroso e pronto ao sacrifício."
Tudo, como se vê, com Jesus, foi e aconteceu naturalmente ! Negaríamos a faculdade imutável da Criação Divina, se, com Jesus, tivesse ela agido de forma diferente. Tudo foi e aconteceu com Jesus, em termos terrenos, igual ao comum das demais crianças.
Porém, começa Jesus a descobrir e a dar conta de seu arrebatamento para as questões ligadas a Deus, deixando-nos antever que, muito cedo, Ele as anteviu e interpretou.
Muito do que se afirma e do que, inclusive, se omite, nomeadamente no que toca à Sua juventude, muito pouco tem a ver com a realidade factual, vivida por Ele.
Ouçamo-Lo de novo:
" Era costume dos habitantes de Nazaré e das outras pequenas cidades da Judeia, encaminharem-se para Jerusalém alguns dias antes da Páscoa, que se celebrava no mês de Março. Os preparativos, de toda a classe, que se faziam, revelavam a importância que se atribuía a tal festa. Montões de géneros vendiam-se por essa ocasião e combinavam-se diversas compras para se trazer alguma coisa da grande cidade. "
" No ano a que chegamos, e que é o duodécimo de minha idade, tinha que participar eu também da viagem anual de minha família conjuntamente com o primogénito de meus irmãos consanguíneos. Partimos, minha mãe, meus irmãos, e eu, com uma mulher chamada Maria; meu pai prometeu alcançar-nos dois dias depois. "
Relembro-vos que Jesus era, enquanto filho do matrimónio contraído por José e Maria, o mais velho de sete irmãos. Quer isto dizer que Maria teve, de José, 7 filhos.
Quando Jesus se refere ao primogénito de ' seus ' irmãos, está a referir-se ao filho mais velho de José, o mais velho desses cinco filhos que José trouxe de seu primeiro matrimónio. Daí falar em seus irmãos consanguíneos, isto é, filhos do mesmo Pai.
Compreende-se, assim, a razão porque afirma o Senhor Jesus, ter sua mãe muito trabalho com a numerosa família. É que, Maria, não somente recebera os cinco filhos de José, como ainda viera a ser mãe de mais sete.
Disse-vos que Jesus foi o primeiro filho natural e legítimo de Maria e de José.
Permitam-me que, ao explicar-vos isto, vos relembre:
DEUS, como sabeis, é a suprema Sabedoria, o supremo Poder. Nada existe que DEUS não haja criado. DEUS, convém que isto comeceis a interiorizar, não tem limites. Tudo pode, tudo sabe ... infinitamente !
Precisamente por ser DEUS, o que faz e cria, fá-lo e cria-o para sempre.
Nada altera, nada revoga, porque, se algo alterasse, se algo revogasse, não seria, simplesmente, DEUS.
Não podemos nem devemos atribuir-Lhe faculdades ilimitadas para, de imediato, consoante sejam nossas conveniências, Lhas retirarmos. A isso chama-se hipocrisia. DEUS é Omnipotente, Omnipresente e Omnisciente. Portanto, sem quaisquer limitações.
Chegados aqui, pensando que não existe em vós dúvidas algumas quanto à ILIMITAÇÃO de DEUS, e posto que DEUS, por força dessa Sua ILIMITAÇÃO, não altera nem revoga uma vírgula de Suas Leis, facilmente concluireis que, tudo o que d' Ele vem, é eterno, imutável, irrevogável.
Ora, sendo isto verdade, facilmente se concluirá que, toda a criatura que nasce fisicamente, nasce de ventre materno, resultando de acto sexual praticado por seus progenitores. Com Jesus, e porque DEUS nunca revoga as Suas Leis, aconteceu exactamente o mesmo.
Não afirmo com isto, que a DEUS seja impossível fazer nascer um ser Humano, sem a participação natural de seus progenitores. Não ! Não é isso que pretendo nem estou a dizer-vos.
O que afirmo e mantenho, é que DEUS ... porque não revoga nem altera uma vírgula de Suas Leis, deixa que seja, precisamente uma delas - a Lei da Natureza - a regular tais nascimentos de forma natural.
Fugir daqui ou inventar outras razões, é retirar a DEUS os Seus naturais atributos. A isso chama-se ignorância, adulteração, para não dizer blasfémia ou má-fé !
Por força da Verdade, do Amor e do respeito que temos à nossa dulcíssima Mãe Maria, afirmo a todos os que amam a Verdade, que JESUS não só não foi o único filho de Maria, como se faz constar, como não foi concebido por acção e graça do Divino Espírito Santo, mas sim, nascido foi do Amor natural de Maria e de José.
DEUS, repetimos, NUNCA altera um til de Suas LEIS ! NUNCA ! Tudo é, pois, Eterno e natural, não havendo, portanto e também, isso que se conhece por ... sobrenatural !
DEUS, repetimos, apesar de não ser, ainda, traduzível por nós, é, também, natural, como natural é tudo o que D ' Ele nos chega.
Logo ... não há milagres ! Há sim ... Graças, o que é bem diferente.
Qualquer filho, portanto, seja ele quem for, nasce naturalmente e é fruto do amor de seus pais.
Voltemos a escutar o Senhor Jesus:
" Ao chegar a Jerusalém minhas impressões foram de alegria, e minha mãe observou a feliz mudança que se havia operado em meu semblante. Hospedámo-nos em casa de um amigo de meu pai. Meu irmão, que tinha então vinte e dois anos, merece uma menção especial. Meu pai, havia manifestado sempre para este filho o mais vivo carinho, e os ciúmes oprimiam meu coração quando me esquecia de reprimir essa vergonhosa paixão que queria apoderar-se de mim. "
Jesus manifesta-nos, também aqui, toda a naturalidade de sua infância. Não se priva de afirmar que tinha, quando se descuidava de os reprimir, ciúmes do amor que seu pai dispensava a seu filho mais velho. Era um jovem de 12 anos, vivendo, pois, a fase mais difícil de sua vida. Se vos relembrardes de vossos verdes anos, sabereis do que vos estou a falar.
Jesus era, pois, jovem e sofreu, naturalmente, o mesmo que sofrem outros jovens quando não são, verdadeiramente, bem-amados por seus Pais.
Voltemos ao Senhor Jesus:
" Eu tinha sido privado das alegrias da infância devido a esta predilecção paterna. Minha mãe apercebia-se algumas vezes de meus sofrimentos, porém os cuidados que lhe exigiam uma numerosa família, impediam-lhe fazer um estudo profundo de cada um dos seus membros. "
" Meu pai era de uma honradez severa, de um carácter violento e despótico. A doçura de minha mãe desarmava-o, porém, os filhos davam trabalho a este pobre pai, que não suportava com paciência a menor contrariedade, e a incapacidade de seu filho Jesus o irritava tanto quanto as travessuras dos outros. "
" A bondade de meu irmão mais velho teve a vantagem de destruir meus anteriores descontentamentos motivados pela diferença com que éramos tratados por nosso pai e a terna Maria alegrava-se ao ver nossa intimidade. A igualdade de gostos e de ideias unia-nos mais do que podia parecer à primeira vista, e se não houvera sido por minhas preocupações religiosas, eu teria compreendido melhor a felicidade desta nossa harmonia. "
" Quando nos encontrámos a sós, meu irmão perguntou-me a respeito das impressões que eu tinha recebido nesse dia e passou em seguida a querer investigar meus pensamentos como era seu costume. "
" Desta vez, porém, causou-me muito mau efeito o sermão que me passou, devido ao meu carácter retraído e pelo abuso que eu fazia da devoção que me arrastava ao esquecimento de meus deveres familiares. "
" Não falarei mais de meu irmão, falecido pouco tempo depois deste incidente; mas esta lembrança me comove, ela fica bem aqui para que o leitor tenha uma justa ideia de minhas aptidões, e possa melhor aquilatar de certas coisas que de outro modo lhe pareceriam incríveis se não estivesse preparado para julgar com os elementos que estão em concordância com os desígnios de Deus. "
" Durante o dia chegaram algumas pessoas que nos vieram visitar, entre as quais encontrava-se José de Arimateia. Ele, como amigo que era de meu pai, depressa se familiarizou connosco. Rico, nobre e hebreu, José encontrava-se por estas razões em contacto tanto com os ricos como com os pobres e oprimidos da religião judaica. "
" Falou-nos dos costumes de Jerusalém, da Sociedade preferida, dos sofrimentos do povo hebreu, e a doçura e naturalidade de sua linguagem eram tais que ninguém teria suspeitado a diferença de nossa condição social. Despertou o desejo de minha mãe para o cultivo de minha inteligência e perguntou-me quais eram as minhas aptidões e meus deveres habituais. A fantasia de minhas práticas religiosas fê-lo sorrir e pareceu-lhe que minha inteligência se encontrava em tudo retardada. "
" Disse-me:
- ' Sê mais sóbrio em tuas práticas de devoção, filho meu, e aumenta teus conhecimentos para poderes converter-te num bom defensor de nossa religião. Pratica a virtude sem ostentação, como também sem fraqueza, sem fanatismo e sem cobardia. Atira para bem longe de ti a ignorância; embelece teu espírito tal como o Deus de Israel manda, para compreenderes suas obras e para poderes avaliar sua misericórdia. Falarei com teu pai, filho meu, e desejo que todos os anos ele te mande aqui durante algum tempo para estudares o comércio dos homens e as leis de Deus. '
" Desde a primeira conversação de José de Arimateia com Jesus de Nazaré bem vedes, filhos meus, como Jesus pôde instruir-se, não obstante permanecer em sua modesta condição de carpinteiro. "
" Homens da têmpera de José de Arimateia atiram a semente e Deus permite que esta semente dê frutos. Homens iguais a José de Arimateia, patenteiam a grandeza da Providência e esta classe de milagres realiza-se hoje como se realizava em meus tempos. "
Jesus, nesta narrativa que faz de sua estada em Jerusalém, noticia-nos um recorte de vida normal a toda a criança que, por um lado, se vê convocada por razões espirituais que ainda não domina, para Deus, e, por outro, por força dessa convocação, deixa de cumprir algumas de suas tarefas familiares. Sabemos bem o que é isso, pois que ...
Pois que, todo aquele que se sinta convocado para questões que tenham a ver com Deus, ou que, por isso mesmo, se sinta muito perto de Deus, também sofre deste tipo de ansiedade de que Jesus sofria. Por um lado, sentimo-nos atraídos para DEUS e Sua Obra, por outro, cumpre-nos realizar obrigações familiares, o que, diga-se, se torna um pouco difícil. É, assim, compreensível o que Jesus nos conta, nada tendo, pois, de anormal.
Fala-nos Jesus de José de Arimateia e de como com ele se relacionou. Gostámos de ler e saber o que o Senhor Jesus nos disse de José de Arimateia.
Vejamos de seguida o que se passou em Jerusalém, no Templo, com os Doutores da Lei.
Ouçamos de novo, o Senhor:
" Fui pela primeira vez ao Templo de Jerusalém na véspera do grande Sábado ( a Páscoa ); levou-me uma mulher chamada Lia, viúva de um negociante de Jerusalém. "
" Estávamos os dois acomodados para o lado ocidental do Templo. Ali, o silêncio só era interrompido pelo murmúrio de muitos doutores da lei, que se ocupavam dos decretos recentemente promulgados e dos arrestos a que eles tinham dado lugar. "
" Eu rezava em minha posição habitual, com o rosto entre as mãos e de joelhos. Pouco a pouco as vozes que interrompiam o silêncio do Templo interromperam também minhas orações e fizeram nascer em meu espírito o desejo de as escutar. "
" Encontrando-me em lugar sombrio, pensei poder aproximar-me sem que disso se apercebesse Lia. Subi para um banco, ocultando-me o mais que me foi possível. Os doutores da lei discutiam: uns com a intenção de promover uma manifestação a favor dos israelitas presos durante a função do dia anterior; os outros aconselhando a permanecerem alheios ao incidente. Aproximei-me mais dos oradores sagrados; eles aperceberam-se de minha presença e ouvi estas palavras: "
- ' Prestemos atenção a este rapaz, ele nos escuta talvez para nos pôr de acordo. Deus concede por vezes às crianças o Dom de sabedoria em discussões que ultrapassam a inteligência de sua idade. '
" Levantei-me na ponta dos pés para observar melhor aquele que havia pronunciado estas palavras. Ele aproximou-se dizendo-me: "
- ' A mãe que te criou, ensinou-te que Deus nos ama a todos, não é verdade ? E tu relacionas este conhecimento do amor de Deus para com seus filhos, com o conhecimento do amor dos filhos entre eles; pois bem, que dirás de filhos ricos, livres, cheios de saúde, cujos irmãos se encontram na pobreza, no abandono, debilitados por uma enfermidade e escravos em uma prisão ? '
" A estes homens na abundância, respondi sem hesitar, eu lhes diria:
- Ide, irmãos, ide, socorrei a vossos irmãos, Deus vos ordena e vossa coragem será abençoada ! "
" Vi que sorria aquele que me havia falado, o qual disse: "
- ' Deus falou por tua boca, filho meu, ' ao mesmo tempo que me estendia a mão, que eu apertei entre as minhas, trémulo de emoção. "
" Em seguida fui reunir-me à minha companheira, que me estivera observando desde o princípio desta cena. Perguntou-me: "
- ' Faz-me o favor, menino, de me ensinar a mim também o que Deus quer dizer com estas palavras:
- ' As crianças terão que ouvir sem emitir opinião e crescer antes de pretender elevarem-se à condição perigosa de fabricantes de moral e de dar conselhos ? '
Respondi-lhe:
" Teu Deus, Lia, é um déspota. O meu honra a liberdade de pensar e de falar. A fraqueza dos escravos constitui a força dos senhores e a infância prepara a juventude. "
" Li nos olhos de Lia a surpresa plena de satisfação e regressámos. "
" Com José de Arimateia, que se encontrava em casa, mantive uma conversação tão fora da habitual em meus lábios geralmente pouco demonstrativos, que minha mãe perguntou a Lia o que é que me havia feito beber pelo caminho. "
- ' Teu filho, querida Maria, está destinado a grandes coisas, respondeu Lia. Eu digo-te diante dele: És uma mãe venturosa e teu ventre bendito é. '
" Eu senti-me enlevado ao ouvir esta predição e minha vida pareceu-me mais do que nunca sob o influxo dos desígnios de Deus. "
" Mulher de Jerusalém, o pobre menino que te acompanhou ao Templo do Senhor, ainda hoje te abençoa ! "
" No intervalo que vai dos meus quinze anos de idade, até ao falecimento de meu pai, permaneci a maior parte de meu tempo em Jerusalém, estudando em casa de um carpinteiro, que me concedia horas de saída para o estudo sob o patrocínio de José de Arimateia. "
" Distinguido por sua probidade e por haver mantido todos os seus filhos no recto caminho da honra e da simplicidade, José, meu pai, morreu rodeado da estima geral e do afecto dos seus. Eu tinha, como disse ao começar este relato, vinte e três anos completos e volto a tomar o fio dos detalhes interrompidos pelo olhar dirigido sobre os meus primeiros anos. "
" José de Arimateia tomou-me como filho seu quando, longe de minha família, lhe fui pedir abrigo e protecção, Ajudou-me a obter o perdão de minha mãe. Minha mãe não somente me perdoou como também me deu permissão para seguir minhas inclinações e uma vida independente. "
Ver o testemunho de Maria, Mãe de Jesus, em Mensagens Espirituais 1
" À medida que a Luz do Alto penetrava com mais intensidade em meu espírito, via-se ele invadido cada vez mais por uma séria aversão às instituições sociais dominantes. Reconhecia com segurança a depravação humana, porém, considerava também a desgraçada condição dos homens e dirigia meu pensamento para o futuro que sonhava, confundindo-o na ternura do pai, deles e meu. Minha presença numa assembleia de doutores foi acolhida favoravelmente e me apresentei desde então em público como orador sagrado. "
Esta é, meus Irmãos, um resumo muito sucinto da história real e concreta, narrada pelo próprio Jesus, ocorrida entre o seu nascimento e os seus 23 anos de idade.
Vejamos o que é que Ele nos ensinou, no cumprimento de Sua Missão. Disse-nos:
" Não vim destruir a Lei, mas confirmá-La. "
" Meu reino não é deste Mundo. "
" Na Casa de meu Pai há muitas moradas. "
" Não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que renascer de novo. "
" Bem-aventurados os aflitos. "
" Bem-aventurados os pobres de espírito. "
" Bem-aventurados os limpos de coração. "
" Bem-aventurados os mansos e pacíficos. "
" Bem-aventurados os misericordiosos. "
" Ama o teu próximo como a ti mesmo. "
" Ama o teu inimigo. "
" Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita. "
" Honra Pai e Mãe. "
" Fora da Caridade não há salvação. "
" Não se pode servir a Deus e a Mamon. "
" Sê-de Perfeitos. "
" Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos. "
" A Fé transporta montanhas. "
" Os trabalhadores da última hora. "
" Haverá falsos Cristos e falsos profetas. "
" Buscai e achareis. "
" Só pelo Amor se salvará o Homem. "
" Daí de graça o que de graça recebestes. "
" Pedi e dar-se-vos-á. "
" Eu Sou a Ressurreição e a Vida. "
" Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. "
Estas são algumas das muitas máximas doutrinárias que o Senhor Jesus nos legou. Vejamos o que algumas nos informam.
" Não vim destruir a Lei ... "
Na lei de Moisés há, como sabe, duas partes bem distintas: uma que provém de Deus, outorgada que lhe foi no Monte Sinai, e uma outra, a lei civil ou lei disciplinar que o próprio Moisés criou.
A Lei de Deus é, como logicamente se compreenderá, imutável, ou seja, inalterável. A segunda, a de Moisés, essa, como aliás todas as normas terrenas, porque finitas e limitadas, são, pois, passíveis de revogação.
A Lei de Deus está formalizada nos conhecidos 10 Mandamentos ou Decálogo.
Apesar de terem sofrido aqui e ali, alguma descuidada tradução e, inclusive, interpretação, estes Preceitos da Lei de Deus são os de todos os Tempos e os de todos os Países. Porque advieram de Deus, têm, pois, carácter divino e são, portanto, irrevogáveis, eternos.
Moisés, obrigado a conter pela força o povo indisciplinado que o seguia, estabeleceu a sua própria lei terrena, atribuindo-lhe origem divina, como o fizeram, aliás, todos os legisladores de povos primitivos. Esta era, naquele tempo distante e ignaro, a única forma de governar e dirigir o povo.
Só impondo, psicologicamente, a ideia de um Deus terrível e vingativo, poderia Moisés impressionar o povo ignorante, obrigando-o dessa forma a suster seus ímpetos cruéis, dada a falta de senso cívico, ético e moral, que permitisse a tal povo, aceitar uma Justiça estranha, isto é, vinda de hierarquias governamentais.
Não se estranha, assim, que Moisés tenha atribuído à sua lei uma origem divina, sem a qual, diga-se, não seria ele capaz de governar tal gente.
Jesus de Nazaré, que tudo isto sabia, quando afirma que não vem destruir a Lei, mas sim dar-lhe cumprimento, não se refere a esta lei terrena de Moisés, mas sim à Lei de Deus, Lei que, como se disse, foi outorgada ( não importa aqui saber por quem, nem como ), a Moisés no aludido Monte Sinai.
Ao dar cumprimento à Lei, Jesus de Nazaré propõe-se desenvolvê-la, dar-lhe verdadeiro sentido, afeiçoando-a e dando-lhe um grau de desenvolvimento humano, ou seja, deseja retirar dela todo o cariz cruel por que enfermava.
Toda a doutrina do Divino Mestre assenta, assim, no principal Preceito Divino: o AMOR. Seja o Amor que se deve ter a Deus, seja o Amor que devemos sentir pelo nosso próximo. Este Preceito, porque integrado na Misericórdia Divina, é, portanto, a base fundamental de toda a Sua temática doutrinal.
Jesus de Nazaré, se, por um lado, afirma e sustenta a imutabilidade da Lei de Deus, inicia, entretanto, a modificação sistemática da lei de Moisés, quer seja na sua forma, quer seja no seu fundo doutrinal, retirando-lhe toda a axiologia negativa por que padecia.
Ao trilhar o caminho que iria tornar possível a modificação da lei mosaica, Jesus de Nazaré combate, não somente os abusos de sua prática exterior, como prossegue, depois, a luta contra as falsas interpretações, fundamentando a Sua argumentação no que ficaria conhecido por Seu Mandamento Novo:
- " Amai a Deus acima de todas a coisas, em Espírito e em Verdade, e amai o vosso próximo como eu vos amo. Isto vos ordeno ! "
Acrescentando, depois:
- " Esta é a Lei e os Profetas. "
Com as palavras: " O Céu e a Terra não passarão enquanto não se cumprir até o último jota, " Jesus de Nazaré deseja, tão somente, afirmar que era mister que a Lei de Deus recebesse acolhimento e fosse cumprida. Dito de outra forma, que fosse a grande Norma, praticada e desenvolvida em sua pureza por toda a Terra.
Porque tal Norma, custe ou não nos custe, será mais cedo ou mais tarde por todos aceite, a todos reitero firmeza e coragem no seu cumprimento. De mim toda a ajuda tereis, em ordem a poderdes cumprir vossas tarefas.
Desenganem-se, pois, todos os que esperam aqui, nestas páginas, ler fantasias ou charlatanices ! Não só, não estamos aqui com esse objectivo, como vós, de nós, decerto, isso não esperareis receber !
Traçaremos o Caminho estreito, mais uma vez estreito, por onde todos teremos de passar, se é que desejamos alcançar, por mérito, como Jesus alcançou, o Coração do nosso Criador e Pai: DEUS.
Para fantasia, basta ou chega o recreio em que se tem vivido.
Jesus de Nazaré veio a este Plano terreno, plano esse que está sob Sua Divina Jurisdição, em ordem a dar-nos nova Revelação de DEUS PAI.
Falou-nos e revelou-nos um DEUS de AMOR, um DEUS de Misericórdia, um DEUS de Paz, um DEUS de Perdão, um DEUS que a todos nós ( Seus Filhos ) muito AMA, um DEUS que dá igual a cada um de Seus Filhos.
Disse que necessário nos era renascer de novo, antes que pudéssemos entrar no Reino dos Céus.
Respondeu a Nicodemus que teríamos que nascer do Espírito e da Água, sendo que, nascer do espírito será REENCARNAR em novo corpo físico, nesse bebé que nascerá da água ( união da célula masculina com a feminina - duas gotas de 'água' ), provindas do acto de Amor de seus pais terrenos.
Disse que o Seu Reino não era deste Mundo, pois que se situa na Glória do PAI, ou seja, nos Planos ( Esferas ) Superiores da Vida.
Elucidou-nos que na Casa do Pai havia muitas moradas. Sim ! É verdade ! Muitas existem ! Não somente de ordem espiritual, como também de ordem física.
Lamentamos, assim, os que ainda pensam que DEUS somente soube criar vida física na Terra.
Convidou-nos a ser Bem-aventurados, porque de o sermos depende nossa ascensão a essa Glória Divina ( à Vida Eterna ).
Ordenou-nos que amássemos o Pai acima de todas as coisas em espírito e em verdade, e ao nosso próximo como a nós mesmos, porque disso depende nossa eternidade na LUZ e na PAZ.
Pediu-nos que fossemos Luz, que fossemos Perfeitos, pois somente sendo-se espírito Puro ( evoluído ) se pode ser LUZ !
Advertiu-nos para que sempre que alguém nos ofendesse a face direita, déssemos a esquerda, ou seja, sempre que alguém nos ofendesse, soubéssemos PERDOAR !
Perdoar significa, assim, dar a outra face ! Se AMAR é divino, PERDOAR o é também. Torna-se necessário saber, como vedes, traduzir Suas Palavras. Devemos lê-las e traduzi-las com os olhos do espírito, não apenas com os olhos da carne.
Como tudo na vida, necessário se torna fazer tal esforço, posto que de nós depende, simplesmente, tudo saber !
Ensinou-nos que " Só pelo Amor será salvo o Homem ", ou seja, que fora da Lei Fundamental de Deus ( desse Amor desinteressado ), não haverá salvação.
Foi-nos advertindo que deveríamos DAR de graça o que de GRAÇA nos era dado. Sim, porque o que nos vem de DEUS chega-nos de graça por Sua GRAÇA. Nunca Ele nos vendeu fosse o que fosse.
Falou-nos do Espírito, da Alma, da Vida Eterna, disso que SOMOS mas que, teimosamente, muito pouco disso que somos, se sabe.
Avisou-nos que: " Conforme fizéssemos, assim acharíamos " !
Não diz o Povo que: " Cá se fazem ... cá se pagam " ? Não significa o mesmo ?
Mentirá a sabedoria do POVO !?
Como vedes, tudo é simples, fácil de compreender e de aceitar. Basta que em nós exista isso que se conhece por: Vontade de aprender, e de saber .
Ademais, o Senhor Jesus de Nazaré, ainda nos soube dizer que:
- " Mais se dá, a quem mais der. "
- " Mais se pedirá a quem mais se deu. "
É Ele a Ressurreição e a Vida, porque nos revelou o AMOR, essa Lei Fundamental do ordenamento Divino, que toda a Paz promove e que para Deus ... tudo eleva.
Jesus, o Cristo, é o Caminho, porque ... sem o Seu trajecto, não teríamos LUZ que nos conduzisse ao encontro com o Pai !
Jesus, O Cristo, é a Verdade, porque somente de Sua Palavra nos chega a Vontade de nosso Pai Celeste !
Jesus, o Cristo, é a Vida, porque o Seu sacrifício nos libertou da ignorância, do atavismo, da hipocrisia, das trevas, da ... morte !
Por isso Lhe afirmamos: Obrigado Senhor ! Obrigado meu Jesus !
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Segue-se a segunda parte de: " A Missão do Cristo ".
Nesta mensagem continuarei a dissertar sobre a Vida do Messias. Falarei da Ressurreição do Senhor, bem como do processo que Ele utilizou para se mostrar visível, por mais de uma vez, aos olhos físicos de Seus Apóstolos, após a Sua morte terrena.
Com base numa narrativa de Pedro, contida nesta mesma Obra literária, ditada por Jesus, de que vos acabo de deixar alguns enxertos, explicar-vos-ei o que aconteceu ao corpo do Senhor, por não se encontrar no sepulcro nessa manhã de Domingo.
Finalmente, irei recorrer de novo à imutabilidade da Lei de Deus, para vos elucidar sobre a realidade da Ascensão do Senhor a Seu Plano.
Aqui vos deixo o meu Abraço de Paz e de Fraternidade !